MANANCIAL

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"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

“O exército dos assírios foi destruído por Deus”

Nos livros de II Reis cap. 18. 13..., II Crônicas cap. 32 e Isaías cap. 36 e 37, que compõem o Antigo Testamento bíblico são narradas histórias sobre a invasão da Assíria em Judá e Israel.

1. O exército dos assírios foi destruído (II Reis 19. 35).

2. Heródoto, historiador grego, ao escrever sobre a história do Egito, relata que um faraó pacifista foi poupado de ser invadido pela Assíria porque uma peste atacou o exército assírio. Este relato é interpretado como sendo a versão egípcia do ataque de Senaqueribe a Judá, já que a região era passagem entre a Assíria e o Egito.

3. O relato jactancioso de Senaqueribe sobre sua campanha contra Judá:

a . "_Quanto a Ezequias, o judaico, ele não se submeteu ao meu jugo. Eu montei cerco em 46 de suas cidades fortificadas e em incontáveis pequenas aldeias; a tudo conquistei usando rampas de acesso que nos colocaram perto das muralhas (...). Eu expulsei 200.150 pessoas, jovens e velhos, homens e mulheres, cavalos, mulas, jumentos, camelos, gado grande e pequeno além da conta, e a tudo considerei como pilhagem de guerra. Ele mesmo eu o fiz prisioneiro em Jerusalém, na sua residência real, como um pássaro numa gaiola. (...) Suas cidades que eu saqueei, eu as tomei de seu país e as dei todas a Motinti, rei de Asdode, a Padi, rei de Eglon, e a Sillibel, rei de Gaza. Dessa maneira, eu reduzi seu país, mas ainda aumentei meu tributo. O próprio Ezequias enviou-me mais tarde, a Nínive, minha cidade senhorial, junto com 30 talentos de ouro, 800 talentos de prata, pedras preciosas, antimônio, grandes blocos de pedra vermelha, leitos (incrustados) de marfim, cadeiras-nimedu (incrustadas) de marfim, couros de elefante, ébano, buxos (e) todas as espécies de tesouros valiosos, suas (próprias) filhas, concubinas, músicos e músicas. A fim de entregar o tributo e prestar homenagem como escravo, ele enviou seu mensageiro (pessoal).”

b. As inscrições de Senaqueribe não mencionam o desastre sofrido por suas forças. Mas, conforme comenta o Professor Jack Finegan: “Em vista do tom geral de jactância que permeia as inscrições dos reis assírios, dificilmente se esperaria que Senaqueribe registrasse tal derrota.” Esta versão jactanciosa aumenta de 300 para 800 o número de talentos de prata enviados, e, sem dúvida, faz o mesmo com outros pormenores do tributo pago; 
 

c. O relato de Senaqueribe confirma notavelmente o registro bíblico e mostra que Senaqueribe não afirmou ter capturado Jerusalém. Deve-se notar, porém, que Senaqueribe apressou-se em voltar à Nínive, depois do desastre das suas tropas, divinamente provocado, e assim, o relato invertido de Senaqueribe convenientemente apresenta que Ezequias lhe pagou o tributo em Nínive mediante um mensageiro especial. Certamente é significativo que antigas inscrições e registros não mostram nenhuma campanha adicional de Senaqueribe na Palestina, embora historiadores afirmem que seu reinado continuou por mais 20 anos.

d. Senaqueribe apresenta a questão de Ezequias pagar tributo como ocorrido depois da ameaça assíria de um sítio contra Jerusalém, ao passo que o relato bíblico mostra que foi pago antes para que fosse evitada uma invasão assíria.

e. O provável motivo desta inversão é que o término desta campanha de Senaqueribe acha-se envolto em obscuridade. O que ele fez após a captura de Ecrom ainda é um mistério. Em seus anais, Senaqueribe situa neste ponto a punição que infligiu a Ezequias, sua incursão contra o país de Judá, e sua distribuição do território e das cidades de Judá. Esta ordem dos eventos parece ser uma cortina que esconde algo que ele não deseja mencionar.

f. O registro bíblico mostra que Senaqueribe voltou apressadamente à Nínive logo após a sua desastrosa campanha e que não houve nenhuma outra investida de suas tropas na Palestina, mesmo que seu reinado ainda tenha durado por mais 20 anos.

g. Josefo, historiador judeu do primeiro século EC, afirma citar o babilônio Beroso (considerado ser do terceiro século AEC), que registraria o evento do seguinte modo: “Quando Senaqueirimos (Senaqueribe) retornou a Jerusalém da sua guerra com o Egito, encontrou ali a força sob Rabsaqué em perigo duma praga, porque Deus infligira uma doença pestilenta ao seu exército, e na primeira noite do sítio, cento e oitenta e cinco mil homens haviam perecido junto com seus comandantes e oficiais.”

h. Heródoto, historiador grego do quinto século AEC, afirma que uma “espantosa multidão de ratos do campo espalhou-se pelo acampamento [assírio] inimigo, pondo-se a roer os arneses, os arcos e as correias que serviam para manejar os escudos”, impedindo-os assim de realizar uma invasão no Egito. 

i. No salmo 46. 8-9 que foi escrito pelo próprio Ezequias, rei de Judá, diz: “Vinde, contemplai as obras do Senhor; que desolações têm feito na terra! Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo". É interessante observar o relato deste Salmo no que tange ao "arco quebrado e a lança cortada" mostrando certa concordância com a afirmação de Heródoto. Provavelmente a frase: "carros queimados no fogo", diz respeito à fúria com que a multidão de ratos atacaram o exército assírio, pois roendo tudo o que encontravam pela frente, deixaram apenas lenha para ser queimada pelos filhos de Judá.

4. As escavações arqueológicas demonstram que os assírios promoveram uma campanha sistemática de cerco e pilhagens. A cidade judaica de Azekah, que foi tomada de assalto, pilhada e, em seguida, devastada. Laquis foi completamente destruída. Escavações realizadas nas décadas de 1930 e de 1970, revelaram a ferocidade do assalto assírio. Nas cavernas próximas à cidade, foram encontradas sepulturas coletivas com cerca de 1.500 corpos de homens, mulheres e crianças.

5. Por incrível que pareça Jerusalém não foi invadida. Relatos Egípcios afirmam que os Assírios perderam boa parte de seus soldados em uma tentativa de invadir a capital de Judá. A Estela de Senaqueribe nada consta os reais motivos pela não invasão da Capital, no entanto, isso não é de se admirar, pois todos os reis da antiguidade não costumavam relatar suas derrotas militares.

6. Os profetas Isaías e Miquéias descrevem os horrores que se abateram sobre o povo de várias cidades, atribuindo-os à punição divina: "Nada digam em Gate, não chorem absolutamente; em Bet-Leafra, rolem no pó. Passem os habitantes de Safit em nudez e vergonha; os habitantes de Saanã de lá não sairão; o lamento de Bet-Esel será tirado dos que lá ficarão; os habitantes de Marot esperam pelo bem, porque o mal lhes foi enviado pelo Senhor" (Miquéias 1. 10-11).

7. O sofrimento humano e as perdas materiais dos hebreus foram resultantes da decisão do rei Ezequias de se rebelar contra a Assíria, de quem Judá se tornara tributária desde a destruição do Reino de Israel, confiando na força de seus aliados. Ainda que Jerusalém não tenha caído, amplas regiões do reino foram devastadas, a valiosa terra agrícola de Shephelah foi entregue por Senaqueribe às cidades da Filisteia (Palestina), muitos hebreus foram aprisionados e deportados. Ezequias recebera de seu antecessor um reino próspero. O que ele legou ao seu filho e sucessor, Manassés, diminuíra consideravelmente de tamanho e de poder.
Fontes: Bíblia Sagrada, Wikipédia, Dicionário Bíblico, Biblioteca On-line Torre de Vigia.

L. M. S.

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