MANANCIAL

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"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

LAZARENTO NÃO É UM PALAVRÃO, MAS UMA CONDIÇÃO.

O que é lazarento?

A expressão "lazarento" se refere principalmente ao personagem Lázaro da parábola do homem rico em Lucas 16:19-31, a qual descreve a história de um mendigo pobre chamado Lázaro que, coberto de chagas e desprezado pelo homem rico, vivia à sua porta e desejava se alimentar das migalhas que caiam da sua mesa, sendo por isso lambido pelos cães. Do nome Lázaro surgiu o termo "lazarento" que, na cultura popular, acabou tomando conotações negativas, significando alguém com doenças de pele contagiosas como lepra, ou de uma condição miserável de aspecto sujo e maltrapilho, ou de extrema pobreza e repulsa pelas demais pessoas, sendo assim um termo que evoluiu para descrever o estado de doença e miséria. Mas assim como a Parábola do Rico e Lázaro não deve ser entendida segundo a cultura popular, o termo que se originou do personagem também não pode; é claro que essa história contada por Jesus faz referência ao povo judeu, isto é, o rico (segundo Rm.3:1-2 e 9:4-5) e os gentios, isto é, Lázaro (segundo Rm.9:30-33). Portanto, Jesus não estava contando uma "anedota grega" como dizem os adventistas, mas sim uma exposição da verdadeira da condição dos judeus incrédulos e dos gentios crentes em Cristo, tanto nesta vida como no além túmulo. 

A PARÁBOLA DO RICO E LÁZARO. 

Lc 16:19-31: "Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."

APLICAÇÃO DA PARÁBOLA EM NOSSOS DIAS. 

Sabemos que: "toda Escritura é divinamente inspirada e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, a fim de que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra" [2Tm.3:16,17]; portanto a Bíblia é um livro atemporal, multidisciplinar e acultural, isto é, ela tem a instrução exata para qualquer tempo, disciplina e cultura, pois é a Palavra de Deus e não a do homem, pois a palavra humana está sujeita à sua época, mas a de Deus é eterna e por isso não se submete aos padrões seculares. Mas aplicando-se a parábola aos nossos dias, vemos que os personagens dela são adequados para representar a condição de um mundano em contraste com a de um crente fiel a Deus; pois assim como o "homem rico se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente"; do mesmo modo vivem aqueles que amam o mundo, se vestem dele e se regalam nele todos os seus dias; mas em contraste, o crente fiel a Deus é visto como desprezível, miserável, como uma abominação para os mundanos, pois o crente acredita em Deus e é submisso à sua Palavra, por isso pratica a justiça, não busca vantagem própria, não se vinga, não propaga a violência, mesmo que justificada; ou seja, o crente fiel a Cristo é odioso aos olhos daqueles que se entregam às paixões da carne, pois como Jesus mesmo disse: (Jo.17:14) "Eu lhes tenho dado a tua Palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou".

O SERVO NÃO É MAIOR DO QUE O SEU SENHOR. 

Assim como os judeus desprezaram a Jesus como o seu Messias, do mesmo modo os incrédulos desprezam àqueles que dedicam suas vidas inteiramente a Deus, pois: "Para o justo, o iníquo é abominação, mas o reto no seu caminho é abominação ao perverso" [Pv.29:27]. 

Quando olhamos a Parábola de Cristo com os olhos espirituais, entendemos que o mendigo vive à porta do rico (Lc 16:20: "Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;"), isto é, o crente fiel vive à margem do mundo e fora dos ditames dele, muito embora ainda esteja nele por um pouco de tempo, pois: "Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, 12. mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação" [1Pe.2:11,12]. No dia da visitação de Deus a este mundo, o Senhor julgará a cada um dos homens por suas obras e, como o rico no inferno viu a Lázaro em descanso eterno nos braços de Abraão (o pai da fé), igualmente os ímpios verão gozando do descando eterno, àqueles que viveram neste mundo para a glória de Deus; mas eles (os ímpios) verão essa glória enquanto sofrem a pena eterna da segunda morte. 

Lc.16:21: "E desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras."

Prestemos atenção no que escreveu o apóstolo Paulo aos Coríntios: "Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. [26] Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. 27. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" [1Cor.9:25-27]. Em outra ocasião ele escreveu: "Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. 17. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer" [Gl.5:16,17]. Muitas vezes o fiel cristão sofre as tentações da carne, pois ainda tem que viver no seu "tabernáculo terrestre", isto é, num corpo que está fadado à corrupção da carne mortal; mas sendo que o mendigo Lázaro, por viver à porta do rico via os manjares apeteciveis da sua mesa e desejava comer da migalhas que caíam dela; também a nossa carne milita contra o Espírito Santo que está habitando em nós, pois este busca os alimentos da mesa de Deus, mas a carne deseja a mesa do mundo para satisfazer as vis paixões carnais. Outro ponto importante é que cada vez que um crente sente as tentações da carne, "os cães vêm a lamber-lhe chagas", isto é, para lembrar quem ele é e de onde ele veio, pois: "Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva" [2Co.10:17,18]; porque esse é o seu culto racional apresentado diariamente ao seu Senhor e Salvador Jesus Cristo: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" [Rm.12:1,2]. Portanto, não é na reunião das igrejas que o crente apresenta seu culto verdadeiro e agradável a Deus, mas no seu dia a dia, no seu privado, na sua vida particular, longe dos "holofotes".

"Os cães vinham lamber-lhe as úlceras", também pode ser entendido como àqueles ímpios que servem de instrumento de acusação para Satanás, pois veem que houve uma mudança de comportamento no crente, mas não acreditam e até odeiam que aquele que antes vivia em trevas passe a viver na luz do Evangelho de Cristo. Esses ímpios espreitam para a qualquer momento julgar maldosamente qualquer deslize do servo fiel ao Senhor, pois eles são como os cães da Parábola, os quais vinham justamente lamber as feridas de Lázaro, quando este desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico. 

LAZARENTO NÃO É UM PALAVRÃO, MAS UMA CONDIÇÃO. 

Aos olhos do mundo, o crente fiel é um "lazarento", pois o mundo odeia e despreza o que não é seu: "Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. 4. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão" [1Pe.4:3,4]. Somos vistos pelos mundanos como "ets", mas essa escolha orientada pelo Espírito de Deus é para a vida eterna, enquanto que a deles é para o lago de fogo e enxofre. Amém. 

Ev. Levi.