MANANCIAL

MANANCIAL
"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

sexta-feira, 7 de julho de 2023

ESTUDO DO TEXTO DE 1 CORÍNTIOS 3.

 1 CORÍNTIOS 3 – COMENTÁRIO EXPOSITIVO.

1. E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. [A falta de maturidade na fé, pelo desconhecimento da doutrina da Palavra de Deus, acarretará aos crentes uma consequente estranheza da vontade de Deus e de seus propósitos para conosco; este é o tema central deste capítulo; ver Hb. 5:11].

2. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, [Os coríntios ignoravam as coisas espirituais da fé, eles se reuniam para adorar a Cristo, celebravam a Ceia do Senhor, abundavam nos dons espirituais, mas não prezavam a doutrina bíblica, pois tratavam das coisas de Deus como crianças que não tem entendimento do estão fazendo, e como meninos sem conhecimento do que é o temor de Deus, eles agiam; ver Hb. 5:12].

3. Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? [A ignorância dos crentes com relação à doutrina da Palavra de Deus, fatalmente produzirá na igreja certas aberrações e frutos imperfeitos – Lc. 8:14 – pois quando a igreja pensa e age nos padrões do mundo, a semente da Palavra de Deus poderá estar sendo lançada entre os espinhos, e estes crescerão e sufocarão a Palavra, e não se produzirá os frutos desejados para o Reino do Céu; ver: 1 Cor. 15:19].

4. Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? [É comum para quem ainda age conforme a sua velha natureza, os meios de criar ou adotar para si ídolos, contudo quem professa a sua fé em Cristo Jesus não pode mais viver sob as inclinações da carne, pois nasceu no espírito e pelo Espírito, e o que nasce da carne é carne, mas nasce do Espírito é espírito; então nós se professamos nossa fé em Jesus e se somos membros do seu Corpo, somos todos irmãos, e não pode haver partidarismo nesse Corpo, porque Cristo não está dividido, pois como está escrito: “Nenhum dos seus ossos será quebrado” [João 19:36 e Sl. 34:20]; e porque a liderança é de Cristo, Ele é a Cabeça do Seu Corpo, foi Jesus quem morreu por nós e nos fez membros dEle e filhos de Deus; contudo Deus estabeleceu os ministros na Sua Igreja, os quais servem como as juntas do Corpo – Ef. 4:11-16 – e não como senhores da igreja como se tivessem domínio sobre a casa de Deus – 1 Pe. 5:1-4 – porque o ministério trabalha e zela pelo rebanho que é do Senhor, almejando o galardão que receberá quando Jesus, o Sumo Pastor vier em glória].  

5. Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? 6. Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. 7. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. [Há diversidade de ministérios – funções – na Igreja de Cristo, porém um só Senhor; portanto nenhum ministro pode atuar independentemente dEle, pois as funções são outorgadas por Cristo – 1 Cor. 12:5 – e do mesmo modo é somente Deus quem opera todas as coisas para dar o crescimento da Igreja, tanto em número de salvos como na maturidade da fé e na busca da santidade – Fl. 2:13. “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”]. 

8. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. [O que “planta” a semente (Palavra de Deus), e o que a “regará” desde o broto até a fase frutífera, “são um”, isto é, ambos têm um mesmo propósito, que é o de fazer aquilo para o qual Deus lhes chamou; o galardão que é o prêmio – a recompensa tão esperada por quem trabalhou pela causa do Evangelho – virá do Senhor da obra e não das plantas].

9. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. [A palavra “cooperador” no grego é “sunergos”, e significa: “ajudante”; ou seja, um senhor que tem um grande campo de lavoura – ou um grande prédio a ser construído – contratará ajudantes para cuidar da realização da obra e da administração dos seus negócios; ver: Mt. 20:1-16].

10. Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. 11. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. 12. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13. A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. 14. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. 15. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. [As Palavras que o Espírito Santo nos ensina são espirituais, por isso devem ser comparadas com as espirituais, mas o Homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus... porque elas se discernem espiritualmente (1 Cor. 2:13-15); por isso, alguns que não fazem esta distinção podem pensar: "Então eu posso fazer o que quiser e ainda assim ser salvo, pois no dia do juízo as minhas obras pecaminosas serão queimadas, mas eu serei salvo independente do que fiz?" Não mesmo! Paulo não está ensinando uma doutrina universalista – de que todos serão salvos – e nem à respeito da doutrina católica do “purgatório” – definido como dogma no 2º Concílio de Lyon em 1.274 d. C. – pois Paulo não contradiz as Escrituras (ver a Parábola do Rico e Lázaro em Lc. 16:19-31; e Hb. 9:27. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto o juízo...). Contudo, estes versos podem dar um nó na cabeça da gente; eu mesmo não havia entendido o que Paulo escreveu nestas passagens, mas, recentemente, como a Bíblia explica a própria Bíblia, pus-me a buscar nela mesma a interpretação do texto, mas não sem oração a Deus para pedir sabedoria do alto, e assim submeter a minha mente à mente do Senhor Jesus. E relendo o texto de 1 Coríntios 3, e perguntando a Deus qual era o significado dele; primeiro o Senhor me fez entender que um dos problemas concentra-se nos materiais usados para a construção do "edifício de Deus". Então vamos lá; o fundamento está correto, pois é Cristo; ninguém aqui está pondo outro alicerce para sua vida, portanto não se trata de nenhuma heresia de perdição e como já disse antes, a questão gira em torno dos materiais de construção; pois alguns crentes irão edificar a Casa de Deus com materiais que suportam passar pelo fogo (batismo de fogo – Mt. 3:11; ver: Zc. 13:9), enquanto que outros não; os que suportam o teste do fogo tais como o ouro, a prata e as pedras preciosas são materiais raros e valiosos, e para encontrá-los é necessário “cavar bem fundo” [Lc. 6:47-49], e isto dá trabalho; todavia a madeira, a palha e o feno são fáceis de achar, pois são encontrados na “superfície da terra”. Agora, em segundo lugar, Paulo refere-se aos crentes da igreja de Corinto como “carnais”, pois são ainda como “crianças em Cristo” – verso 1 – e que não suportam o alimento sólido da Palavra de Deus – verso 2. Os coríntios têm comportamento semelhante às crianças, pois são os imaturos quem tem inveja uns dos outros, e são crianças que brigam por qualquer coisa, e somente os meninos promovem o partidarismo – versos 3 e 4. Bem! Dito isto, agora vamos às consequências; pois crianças não sabem, não apreciam e nem entendem o valor do ouro, ou da prata ou das pedras preciosas; pois se dermos um diamante nas mãos de uma criança, ela vai brincar com ele, e até pode pô-lo na sua boca... Porque um menino não tem capacidade intelectual para avaliar o que é uma pedra preciosa e muito menos de saber de onde ela vem para encontrá-la; porém uma pessoa adulta reconhece o valor do ouro, da prata e das pedras preciosas e também sabe que para encontrá-las é preciso muito trabalho. Este é o ponto: crentes que permanecem como meninos na fé edificam as suas vidas cristãs com coisas sem valor para sua vida espiritual; eles vivem na “superfície” do Evangelho de Cristo, eles não se aprofundam na comunhão das obras do Espírito Santo.  Nessa fé superficial eles não amadurecem senão quando Deus os fizer passar pelo fogo, só aí eles entenderão que usaram materiais inúteis para se construírem sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Mas passemos agora para alguns exemplos históricos, de personagens da Igreja que experimentaram em suas vidas a prova do fogo e tiveram prejuízo, mas que foram salvos. O primeiro que vou destacar é o reformador Martinho Lutero, e o segundo será o avivacionista e fundador do movimento metodista, John Wesley. Martinho Lutero tinha pavor da morte e da condenação do inferno; ele tornou-se um monge agostiniano por medo da morte; alcançou o bacharelado em teologia e o doutorado em Bíblia; ele lecionou as Escrituras, era adepto da autoflagelação, volta e meia trancava-se em sua cela para combater o diabo; praticava religiosamente boas obras para ser aceito por Deus... Até que um dia, em peregrinação à Roma, buscando o alívio para sua vida atribulada, de lá voltou decepcionado com as práticas vis da venda de indulgências; ele não encontrou na capital da fé católica, as respostas que procurava e isto o decepcionou mais ainda. Mas o "dia" chegou e o "dia" declarou a sua obra; sua edificação de madeira, de palha e feno foi provada pelo fogo, e ela se queimou, mas a única coisa que saiu ilesa do fogo (1 Pe. 1:7) e o salvou dele foi a sua fé em Jesus Cristo, dentro do seu coração. Já John Wesley teve uma experiência semelhante à de Lutero; pois Wesley acreditava também que precisava ter méritos para alcançar a salvação da sua alma e por isso praticava a caridade para ser aceito por Deus; porém o "dia", também chegou para ele, e o "dia" declarou a sua obra de madeira, de palha e de feno; e foi quando numa tempestade em alto mar, que temendo por sua vida, John Wesley conheceu a segurança e a suficiência da fé em Jesus Cristo. Então, tanto Wesley como Lutero tiveram prejuízo naquilo que edificaram sobre o fundamento da igreja, ou seja, Cristo, mas ambos foram salvos “como um tição tirado do fogo” (Zc. 3:2). E é exatamente disso que Paulo trata em 1 Coríntios 3:11-16. Em Isaías 43:2 está escrito: “Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti”. A excelência do conhecimento por meio da fé torna os servos de Deus, invulneráveis à fúria dos elementos, aos ataques das potestades e às doutrinas de demônios; porém um povo que não conhece o seu Deus estará fadado repetir os erros dos israelitas (Oséias 4:5-7); todavia a Nova Aliança está firmada em melhores promessas (Hb. 8:1-7); pois que o mesmo Deus que iniciou sua boa obra em nós, Ele a aperfeiçoará até o dia da vinda de Cristo (Fl. 1:6), mas tudo que pode passar pelo fogo, se purificará com água e se passará pelo fogo (Nm. 31:23; compare com: 1 Cor. 10:13); e Jesus é quem batiza não só com o Espírito Santo, mas também com fogo – Mt. 3:10-12].    

16. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 17. Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. [Seguindo adiante, no versículo 17 o apóstolo muda o tom da conversa, pois agora trata daqueles que corrompem deliberadamente o santuário do Deus vivo, a igreja do Senhor Jesus; e quanto a estes falsos profetas, que introduzem heresias de perdição no meio do povo de Deus, para eles não haverá misericórdia, mas juízo para condenação (Dt. 13:5). Jesus disse que quem soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de açoite, com muitos açoites será castigado, mas quem não o soube e fez coisas dignas de açoite, com poucos açoites será castigado (Lc. 12:47-48); Deus não é injusto, pois os talentos são dados segundo a capacidade de cada servo (Mt. 25:15); portanto o fogo da purificação provará a obra que cada um edificou sobre Cristo, mas para aqueles que não se sujeitaram ao domínio de Cristo e tentam corromper o Corpo do Senhor, a estes o fogo será para destruição e não purificação – Lc. 19:27].

18. Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio. 19. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. 20. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos. [Nosso coração é enganoso (Jr. 17:9) e é por isso que não podemos confiar em nós mesmos, mas somente em Deus; nós somos aptos para o mal, mas não para o bem; o egoísmo e a soberba são sentimentos natos da velha natureza; nós criamos ídolos com muita facilidade, forjamos deuses e mestres segundo a nossa cobiça e para nossos próprios deleites, e é por causa disso que precisamos constantemente nos humilhar debaixo da potente mão de Deus para que Ele nos ponha em lugar seguro – 1 Pe. 5:5-7].

21. Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; 22. Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, 23. E vós de Cristo, e Cristo de Deus. [Quem crucificou sua carne e permanece crucificado com Cristo, já morreu para o mundo; doravante vive em Jesus Cristo, e quem está nEle é nova criatura e herdeiro de Deus, pois tem seu nome arrolado no Testamento divino, no Livro da Vida do Cordeiro; portanto tudo é nosso, e nós de Cristo, e Cristo é de Deus. Amém!].  

Filipenses 1:6. Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra, a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.

Ev. Levi.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

O QUE É ADORAÇÃO?

O QUE É ADORAÇÃO?

Gênesis 22:1-5. (1). E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. (2). E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, E OFERECE-O ALI EM HOLOCAUSTO sobre uma das montanhas, que eu te direi. (3). Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera. (4). Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe. (5). E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; E HAVENDO ADORADO, tornaremos a vós.

Romanos 12:1,2 [NVI].

(1). Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. (2). Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

As igrejas têm se esquecido do sentido bíblico de adoração, porque a maioria de nós pensa que adorar é cantar louvores; mas quão fraca é essa interpretação! Alguns dos membros envolvidos com a musicalidade dos cultos, por não conhecerem o que a Bíblia ensina sobre a adoração, afirmam que “louvor de adoração” é aquela melodia mais lenta, mais “espiritual”.

Vejamos o que temos nos versos primeiros de Gênesis 22:

1. Deus mandou e Abraão obedeceu - esta é a forma de ser de um adorador sincero; pois está escrito: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à Palavra do Senhor?...” [1 Sm. 15:22].

2. Deus não pediu algo impossível, porém o bem mais precioso que Abraão possuía - Cristo exclamou: “Assim, pois, quem não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” [Lc. 14:33].

3. Adoração envolve fé - Deus havia pedido a Isaque em sacrifício, contudo Abraão diz aos servos que os dois voltariam vivos.

Vejamos o que está escrito em Hebreus:

Hebreus 11:17,18. (17). Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. (18). Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar.

Então, nós podemos vislumbrar que adoração segundo a Bíblia é:

1. Prontidão: o adorador está sempre disponível para o chamado de seu Senhor.

2. Obediência: adorador não questiona a ordem.

3. Presteza: adorador tem pressa em cumprir as ordens recebidas [Abraão levanta de madrugada, antes de o sol nascer, e prepara tudo para cumprir o mandamento de Deus].

4. Desapego: o adorador reconhece que tudo o que tem pertence ao seu Senhor, portanto todos seus bens devem servir para adorá-lo.

Adorar biblicamente significa a prontidão para o chamado, a obediência irrestrita, a presteza no serviço e o desapego dos bens deste mundo. Quem não obedece à Palavra de Deus, mas vive para os seus próprios deleites, considerando seu serviço igual ao dos artistas seculares [busca da fama, do dinheiro, de viagens caras, de hotéis de luxo, do reconhecimento público em shows e turnês, e cobrando cachês], não tem em seu coração o compromisso de exaltar a Deus, porque adoradores em espírito e em verdade não se conformam com o padrão do mundo; mas sim com coisas humildes [Rm. 12:16. “Sejam unânimes entre vós; não ambicioneis as coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos”].

Adoração não se limita a cantar louvores nos cultos, mas concerne também a uma vida sacrificial, ou seja, todo crente sincero deve ser uma oferta viva ao Senhor, um culto de sacrifício espiritual contínuo a Deus; pois assim era a adoração ordenada por Deus ao seu povo na antiguidade, com as ofertas contínuas trazidas para o altar do holocausto no átrio do Tabernáculo, com o incenso queimado diariamente sobre o altar no lugar santo, com os dízimos entregues à tribo de Levi, com o comparecimento nas festas determinadas à nação israelita, e na observância dos alimentos limpos e imundos, e nas vestimentas, e no modo de cortar os cabelos e a barba, e na semeadura da terra, etc.

O culto mosaico tratava de como Deus deveria ser adorado pelo seu povo; eles não imitariam os costumes das nações com que teriam ou tiveram contato, pois que os habitantes de Canaã eram tão idólatras quanto os egípcios. O povo do Senhor seria obediente, prestativo, disposto e separado dos demais povos. A adoração tinha por fim um culto de ação de graças, pois todas as ofertas traziam em si uma resposta consciente de gratidão e de reconhecimento de onde e de quem vinham as suas bênçãos, isto é, do Deus vivo; por isso que havia prescrições específicas na Lei, e todas elas visavam a obediência de Israel.

Em nossos dias sabemos que aquelas ordenanças da Lei eram as sombras dos bens que hoje desfrutamos na Nova Aliança [Cl. 2:17; Hb. 10:1]. E sendo a Lei espiritual [Rm. 7:14] e sendo nosso corpo o Templo do Espírito Santo [1 Cor. 6:19]; precisamos ter discernimento espiritual para compreender a vontade de Deus. Então o que importa saber é que todos os que o invocam em verdade em justiça o Nome do Senhor Jesus Cristo, são seus verdadeiros adoradores; estes adoradores são aqueles que apresentaram seus corpos em sacrifício vivo, santo e agradável em culto racional [Rm. 12:1], isto é, com entendimento e não na ignorância de uma mente corrompida pelas paixões carnais, como daqueles que vivem sem Deus [1 Pe. 1:14]; pois o Senhor quer adoradores diferenciados e inconformados com os costumes pagãos; Ele quer também que estejamos em constante processo de transformação e santificação pela Palavra por seu Espírito, para renovar nossa mente, e só assim poderemos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus [Rm. 12:1,2].

A MINHA CASA SERÁ CHAMADA CASA DE ORAÇÃO.

Isaías 56:6-8. (6). E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado {Mt. 11:28-30; Hb. 4:1-11}, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, (7). Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. (8). Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram.

A função principal da igreja é a adoração, pois a Casa do Senhor é chamada de Casa de Oração [Mt. 21:13]; e somente depois de edificada a Casa de Oração, isto é, depois que discípulos de Cristo são feitos [Mt. 28:19,20], e que como pedras vivas são assentados sobre o fundamento da igreja, que é Cristo [1 Pe. 2:4,5]; é que vem a segunda prioridade, que é a propagação do Evangelho de Cristo pelo mundo [Mc. 16:15,16]. Uma igreja edificada sobre Cristo, sadia na fé, unida em amor, santificada pelo Espírito Santo, e madura na Palavra de Deus estará apta a enviar missionários a outros países.

Vejamos o exemplo da igreja de Antioquia:

Atos 11:19-30. ¹⁹ E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estevão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. ²⁰ E havia entre eles alguns homens chíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. ²¹ E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. ²² E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. ²³ O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; ²⁴ Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. ²⁵ E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. ²⁶ E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. ²⁷ E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. ²⁸ E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. ²⁹ E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. ³⁰ O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo.

Atos 13:1-3. (1). E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. (2). E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. (3). Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.

Nestes capítulos vemos a edificação de uma verdadeira Casa de Oração; a igreja de Antioquia que recebeu o Evangelho de Cristo, e que depois foi doutrinada na Palavra de Deus por meio de Paulo e Barnabé, seus membros receberam a alcunha de cristãos; e já sadios na fé, os membros da Igreja condoeram-se dos sofrimentos dos santos da Judéia e lhes mandaram ajuda; outro detalhe é que a Igreja de Cristo em Antioquia se manteve numa vida de oração e jejum; e por fim, ela enviou Paulo e Barnabé em missão a outros países.

Uma história semelhante aconteceu na Moravia, com os seguidores de John Huss; os quais sofrendo grande perseguição por causa da sua fé em Jesus Cristo; encontraram refúgio na propriedade de um Conde alemão de chamado Zinzendorf, que os acolheu e proporcionou que muitos outros fugitivos cristãos de várias denominações se abrigassem em suas terras. Lá os cristãos morávios fundaram uma comunidade chamada Herrnhut (guardado pelo Senhor). O conde Zinzendorf era um homem de Deus e dedicação à oração. Os refugiados cristãos por virem de várias denominações com divergências doutrinárias tiveram alguns embates teológicos; pois alguns batizavam suas crianças e outros não; alguns batizavam por aspersão e outros por imersão; alguns criam e celebravam a ceia do Senhor de um jeito, e outro criam e celebravam de outro modo; alguns criam nos dons espirituais, já outros não... As diversas e conflitantes doutrinas pareciam sobrepor à fé em um único Senhor, mas o conde Zinzendorf, sendo um homem sábio e, repito, de oração; convocou a todos numa reunião da Ceia do Senhor, e nela pregou uma mensagem que impactou a todos e provocou arrependimento nos ouvintes, que os levou ao propósito de estabelecer um pacto cristão, e desse pacto, orações contínuas tiveram apreço especial nos corações deles; e sob o tema: "O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará" [Levítico 6:13], deu-se início às orações ininterruptas, 24h por dia, sete dias por semana, 30 dias por mês, 365 dias por ano; e que se estendeu por 1 século; os crentes se revezaram em duplas, sendo que cada dupla orava duas horas por dia; esta vigília foi chamada de: "A vigília dos cem anos". Nesse tempo os morávios enviaram missionários por quase todo o mundo; e por causa disso o século 18 foi privilegiado por um dos maiores avivamentos da história da igreja.

"Que o Cordeiro que foi imolado receba a recompensa por seu sofrimento" (frase dita pelos primeiros missionários morávios, quando embarcaram num navio em direção às Índias Ocidentais, para servirem como escravos perpétuos de um lorde ateu, porque foi a única maneira de entrarem nas possessões desse lorde, para pregarem o Evangelho de Cristo aos nativos). Isto que é verdadeiramente adoração!

Louvor e adoração não são a mesma coisa? Nem sempre; pois se o louvor é apenas o que sai de minha boca, mas não procede do meu coração, então não é adoração. E como vimos antes, adoração não se resume em cantar louvores; pois o que se traduz por adoração não são apenas as palavras, mas o compromisso da obediência de uma vida consagrada a Deus. E quando alguém perguntou a Jesus sobre qual seria o maior mandamento; Cristo respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. 38. Este é o primeiro e grande mandamento" [Mt. 22:36-38]. O amor a Deus nos leva a adorá-lo em espírito e em verdade.

1 Coríntios 10:31,32. (31). Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. (32). Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.

Se houver em nós esse espírito de fazer tudo para glorificar a Deus, nossa vida sempre estará pronta para ser derramada como uma libação sobre o sacrifício de Cristo [2 Tm. 4:6], e ser apresentada como uma oferta queimada de cheiro suave ao Senhor [2 Cor. 2:15,16].

A BASE DA ADORAÇÃO.

Adoração tem como fundamento o temor do Senhor.

Eclesiastes 5:1-7. (1). Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. (2). Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras. (3). Porque, da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras. (4). Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. (5). Melhor é que não votes do que votares e não cumprires. (6). Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos? (7). Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu temes a Deus.

A RECONSTRUÇÃO DO TEMPLO NA VOLTA DO CATIVEIRO BABILÔNICO.

O povo judeu que retornou de Babilônia sob o decreto de Ciro, rei da Pérsia, veio com a incumbência de reconstruir o Templo em Jerusalém e restabelecer o culto mosaico; e antes de lançarem os fundamentos da Casa de Deus, o sumo sacerdote Josué e os demais sacerdotes, juntos com o governador Zorobabel levantaram o altar do holocausto, para ofertarem ao Senhor, tudo conforme está escrito na Lei de Moisés, e ofereceram sobre ele os sacrifícios contínuos e celebrarem as festividades religiosas (Esdras 3:1-6). Contudo, devido à oposição impetrada pelos samaritanos à reconstrução do Templo, o povo judeu desistiu; o tempo passou e cada um foi tratar dos seus negócios, e assim eles ficaram satisfeitos apenas com o culto no altar, mas essa não era a vontade de Deus. Então o Senhor providenciou dois profetas, Ageu e Zacarias, os quais exortaram os judeus ao arrependimento e os animaram a retornar ao trabalho na Casa de Deus. Não podemos adorar a Deus de qualquer jeito Ele é quem estabeleceu o modo de adorá-lo; um altar sem o Templo está fora do plano arquitetônico do Senhor; o altar é o centro da adoração, mas o Templo é o local da adoração, o lugar do culto onde o Senhor da Casa se manifestará e receberá os sacrifícios oferecidos sobre o altar.

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” [1 Cor. 3:16]. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” [1 Cor. 6:19].

Deus advertiu os israelitas que, por não edificarem o Templo do Senhor, as ofertas deles não passavam de coisas imundas [Ageu 2:14]; Ele não as recebia. Temos que nos conformar com o que Deus estabeleceu para a Sua glória. Os ídolos são adorados ao "gosto do freguês", mas o Deus verdadeiro não; é por isso que Ele procura verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade [João 4:23]. 

Ev. Levi.

PODE O SAL SE TORNAR INSÍPIDO?

PODE O SAL SE TORNAR INSÍPIDO?

Levítico 2:13.  E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal.

Aqui em Levítico 2:13 está a ordenança de que em toda "qorban" ou “corbã”, dom oferecido, dedicado a Deus [Mc. 7:11] - raiz de "qarab": de aproximação, de chegar perto – de alimentos ("minchah" - tributo, sacrifício, manjar) deve ser apresentado no altar do Senhor com sal. Isto quer dizer que qualquer dom quando dedicado ao Senhor, sejam dons naturais da carne como uma voz bem afinada para cantar e outras habilidades musicais por exemplo, quando dedicadas para o louvor a Deus, devem ser apresentadas acrescidas do "sal da Aliança do nosso Deus", ou seja, do “sal da terra"; isto é, o sal não corrompe, mas evita a corrupção, em vista que desde a antiguidade até agora, o sal é usado na carne para conservá-la livre da degradação, do apodrecimento. O sal tem também propriedades antissépticas e ação cicatrizante em feridas; isto nos leva a pensar que toda nossa vida deve ser “temperada com sal” para ser “dedicada” e apresentada como um tributo ao Senhor Deus; e não podemos igualar-nos com o pecado; pois o pecado é semelhante à lepra, ou seja, quem está no pecado é como se estivesse leproso e coberto de chagas purulentas [vejam o que Isaías 1:4-6 diz do pecado]; e nós – como o sal da Terra – devemos servir na “antissepsia” das feridas do pecado, e nas chagas presentes na carne dos perdidos; e como o sal impede o apodrecimento das carnes, assim deve a nossa “qorban” ser dedicada a Deus, porque o “sal da aliança do Senhor”, que é símbolo da vida santa de Jesus; estará “salgando as ofertas da nossa carne”; por isso, as corbãs – as ofertas de dedicação e de aproximação – de minchás – de alimentos, de tributo a Deus nos lembram que João [Ap. 10:9-11] tomou o livrinho da mão do anjo e comeu, e que lhe foi doce na boca, mas amargo no ventre. Mas que depois de comê-lo, João recebe a ordem de profetizar a muitos povos, e nações, e línguas e reis. Pois é! “... Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos”. [João 6:53].

O SAL INSÍPIDO.

Mateus 5:13. Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.

Muitos dizem que essa afirmação de Cristo é improvável, pois o sal sempre terá sabor de sal; mas eu não quero aqui entrar no mérito, como muitos fazem, de tentar explicar a que espécie de sal Jesus se referiu no texto, se era do sal bruto mineral (em pedras), porque isto é inútil; porém, na frase anterior, Cristo nos dá uma prova de que não está falando de tipos de sais, mas de que “nós somos o sal da Terra”, e que a verdade do seu ensino é que se nós nos tornarmos “insípidos”, ou seja, irrelevantes nesta Terra, não serviremos mais para os propósitos de Deus, isto é, toda a carne debaixo do pecado está em franca decomposição e muitos num estado avançado de sepse (infecção generalizada) já a beira da morte; contudo, Deus nos salvou das garras de Satanás, nos purificou no sangue de Jesus, nos lavou com a água limpa da Sua Palavra, e nos está santificando dia a dia com Seu Espírito Santo, e por isso Ele nos enviou ao mundo para fazermos a diferença, para sermos luz entre as trevas – é o Reino do Céu contra as potestades das trevas, não há conciliação [Gn. 1:4]. Agora, se nós, que por meio Cristo, estamos recuperando a imagem e a semelhança de Deus, em nosso espírito, alma e corpo, tornarmos a antiga forma – a dos perdidos – e se cobiçarmos o que eles cobiçam, e agirmos segundo conselho dos ímpios, nos determos nos caminhos dos pecadores, e nos assentarmos na roda dos escarnecedores, então nós perderemos o sabor; porque se na igreja os cânticos são tão mundanos como os dos mundanos, se nossa aparência assemelha-se aos dos ímpios, e se nossa ética e moralidade forem as mesmas dos incrédulos, então “o sal tornou-se insípido” e não mais evitará a corrupção de toda carne no mundo; então o "sal da Terra" será lançado fora, pois para nada mais presta, senão para ser pisado pelos homens. Lembro-me de que o mendigo Lázaro quando desejava comer das migalhas que caíam da mesa do rico, os cães vinham lamber-lhe as feridas; será que na Parábola, Cristo acrescentou esta observação por acaso? Ou será ainda não enxergamos uma verdade da qual devemos nos aprofundar mais nela; heim?!   

Marcos 9:47-50. (47). E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, (48). Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. (49). Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. (50). Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.

Sim, o Sal tem conotação de um Evangelho incólume, limpo e puro, sem tropeços e sem escândalos, tanto para aqueles que nos ouvem como para os que nos veem; o sal da Terra deve trazer a incorrupção da carne e a antissepsia para as chagas podres dos pecadores e causar sua consequente cicatrização; o sal da Terra deve possuir em si mesmo o sabor da vida de Cristo, com Cristo e por Cristo, e isto em oferta de louvor, em gratidão, em alegria, em santidade e justiça, e sendo nEle preservados da podridão do pecado, sermos agradecidos.

Lucas 14:33-35. (33). Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo. (34). Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar? (35). Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

O sal tem que ser bom, não degenerado, e ainda acrescentar o sabor à vida, tanto à nossa, como daqueles com quem nos relacionarmos; porém, para sermos esse sal, nós devemos renunciar a tudo deste mundo e sermos discípulos de Cristo; pois é com Ele que podemos aprender como ser sal nesta Terra, e nunca sermos lançados fora do Seu Reino. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

UM EXEMPLO DE SAL DA TERRA.

William Carey chamado: "O pai das missões modernas"; nasceu em uma família pobre, em 1.761, na Inglaterra. Filho de um tecelão; William desejava trabalhar como jardineiro, mas como não podia mexer com flores, pois tinha problemas alérgicos, aos 16 anos começou a trabalhar como sapateiro permanecendo nessa profissão até os 28 anos de idade. Aos 18 anos, logo após sua conversão, desenvolveu o hábito de estudar a Bíblia. E em 1.781, já com dezenove anos, William Carey se casou; e sua esposa, Dorothy tinha um temperamento difícil. Ele acumulou as funções de pastor, professor e sapateiro na aldeia que vivia, mas teve problemas financeiros; contudo, movido por Deus a um sentimento de enviar missionários pelo mundo, Carey encontrou seu primeiro obstáculo na igreja que pertencia, o que o levou a escrever um tratado intitulado “Uma investigação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos pagãos”, em 1.792. Mas foi num sermão sobre Isaías 54:2,3 [(2). Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças; alonga as tuas cordas, e fixa bem as tuas estacas. (3). Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; e a tua descendência possuirá os gentios e fará que sejam habitadas as cidades assoladas], dirigido a um grupo de pastores batistas ingleses, no dia 31 de maio de 1.792, Carey reforçou os apelos constantes da sua “Investigação” e pronunciou a frase que se tornou célebre como a filosofia de trabalho missionário: “Espere grandes coisas de Deus; tente grandes coisas para Deus”. Os argumentos de Carey resultaram na formação da Sociedade Missionária Batista, organizada em setembro de 1.792. E em junho de 1.793, ele e sua família partiram para a Índia e chegaram lá no dia 11 de novembro de 1793, marcando o início da grande era das missões além mar. Já em terras hindus, sofreu oposição da "Companhia das Índias Orientais", pois a política do Império Inglês era contra a evangelização dos nativos, mas Carey mesmo com dificuldades "driblou as dificuldades”, e se dedicou a aprender a língua bengali e pôs-se a traduzir o Novo Testamento para essa língua, cuja empreitada foi um fracasso, porém não desanimou, ele refez a tradução até que pudesse ser compreendida pelo povo bengalês. Ainda com muitos problemas familiares como a morte de seu filho de apenas 5 anos, os problemas mentais da sua esposa e a morte dela, o incêndio na gráfica onde preparou vários documentos e muitas traduções, o que lhe deu grande prejuízo, ele continuou perseverante. Mas como Deus é muito misericordioso, Ele enviou-lhe ajuda; dois missionários, William Ward e Joshua Marshman se juntaram a Carey em 1.799. Juntos eles fundaram 26 igrejas, 126 escolas com 10.000 alunos, traduziram as Escrituras em 44 línguas, produziram gramáticas e dicionários, organizaram a primeira missão médica na Índia, fundaram seminários, escolas para meninas, e o jornal na língua Bengali. Ele foi um dos responsáveis pela erradicação do costume "sati", um ritual hindu no qual a esposa viúva era queimada viva juntamente na pira funerária com o defunto do seu marido. William foi responsável pela fundação da "Sociedade de Agricultura e Horticultura" na Índia em 1.820; a primeira imprensa e a primeira fábrica de papel, e também introduziu o motor a vapor na Índia; ele traduziu da Bíblia em Sânscrito, Bengali, Marati, Telugu e nos idiomas dos Siques, pois tinha um dom natural para aprender línguas. Em 1.800, William Carey fez o batismo do primeiro hindu convertido ao Evangelho. Calcula-se que William Carey traduziu a Bíblia para a terça parte dos habitantes do mundo. Alguns missionários, em 1855, ao apresentarem o Evangelho no Afeganistão, descobriram que a única versão que esse povo entendia era a em língua Pachto, tradução feita em Serampore (na Índia) por Carey. Durante mais de trinta anos, William Carey foi professor de línguas orientais no Colégio de Fort Williams. Fundou também o “Serampore College” para ensinar evangelistas e, sob a sua direção, o colégio prosperou na evangelização do país. Os seus esforços, inspiraram a fundação de outras missões, dentre elas: a Associação Missionária de Londres, em 1.795; a Associação Missionária da Holanda, em 1.797; a Associação Missionária Americana, em 1.810; e a União Missionária Batista Estadunidense, em 1.814.

"Não tenho medo do fracasso; Tenho medo de ter sucesso em coisas que não importam". William Carey.

Obs:- Um sapateiro convertido perguntou a Lutero o que poderia fazer para servir melhor a Deus e ser um bom cristão; e Lutero respondeu: “Faça um bom sapato e o venda por um preço justo”.  O sapateiro William Carey fez o melhor sapato e o vendeu por um preço justo.

Ev. Levi.

domingo, 21 de maio de 2023

BOM É AGUARDAR A SALVAÇÃO DO SENHOR EM SILÊNCIO (Lamentações 3:26).

Lucas 1:5-7. (5). Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel. (6). E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. (7). E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade.

O NOME DOS PERSONAGENS.

Zacarias - Lembrado por Jeová.

Isabel (Elisabeth) - Juramento de Deus.

Abias - Meu Pai é Jeová.

Arão - Que traz luz.

João - Jeová é o doador gracioso.

Gabriel - Guerreiro de Deus.

A VISÃO DO ANJO GABRIEL.

Lucas 1:11-14. (11). E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. (12). E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele. (13). Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque "a tua oração foi ouvida", e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. (14). E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento...

A DÚVIDA DE ZACARIAS E A PUNIÇÃO PELA INCREDULIDADE.

Lucas 1:18-20. (18). Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade. (19). E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas. (20). E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir.

A MUDEZ DE ZACARIAS.

A palavra para "mudo" usada pelo anjo Gabriel é: “SIOPAO” - que quer dizer: "silêncio", "quietude", e também pode ser interpretada como surdez e mudez. Já na narrativa dos fatos, no verso 20, Lucas usa o termo "KOPHOS" - surdo ou mudo. Mas é no verso 62 do cap. 1 de Lucas, que temos a confirmação de que Zacarias ficou não somente mudo, mas também surdo, pois as pessoas usaram de sinais com as mãos para se comunicarem com Zacarias – se ele estivesse apenas mudo entenderia o que eles lhe falavam sem a necessidade do uso dos sinais como os surdos-mudos fazem.

Eu creio que Deus lhe deu uma “boa punição”, porque ela também foi uma bênção para Zacarias; pois a sua mudez não foi apenas uma punição por causa da incredulidade, mas também um sinal divino de que a Palavra de Deus se cumpriria, ou seja, o anjo do Senhor lhe deu uma promessa em resposta à sua oração, Zacarias duvidou, o anjo sentencia-o a ficar mudo; ora!... A mudez da Zacarias torna-se então a confirmação que aconteceria aquele milagre, e assim, a sua fé se fortaleceu em Deus. Contudo, como já vimos antes, Zacarias não ficou apenas mudo, mas também surdo...

O que eu vejo nesta passagem bíblica é que Zacarias e Isabel eram justos, tementes a Deus e irrepreensíveis, e que eles eram já idosos e sem filhos. Na cultura antiga, uma mulher que não tinha filhos era uma vergonha, e principalmente se fosse mulher de um sacerdote; pois, para eles, a fecundidade era uma bênção divina (Sl. 127:3-5), mas a esterilidade era vista como uma maldição da parte de Deus [Nm. 5:12-31 declara a “lei do ciúmes”, a qual tratava da desconfiança do marido por uma possível traição de sua esposa, porque se sobre ele viesse o “espírito de ciúmes”, o marido deveria trazer sua esposa diante do sacerdote e fazer uma oferta de alimentos (memorativa) por ela; depois, o sacerdote colocaria um punhado da terra do chão do Tabernáculo num vaso com água limpa e daria à beber àquela mulher; se ela tivesse realmente traído o seu marido, nunca mais teria filhos; pois como está escrito: “E, havendo-lhe dado a beber aquela água, será que, se ela se tiver contaminado, e contra seu marido tiver transgredido, a água amaldiçoante entrará nela para amargura, e o seu ventre se inchará, e consumirá a sua coxa; e aquela mulher será por maldição no meio do seu povo; E, se a mulher se não tiver contaminado, mas estiver limpa, então será livre, e conceberá filhos”. – Nm. 5:27,28].

Agora... Penso eu que Zacarias e Isabel passaram por poucas e boas; pois acredito que muita gente deve ter pensado mal deles por causa da esterilidade de Isabel, e não somente isso; mas também quantas vezes, Zacarias não ficou frustrado com seu casamento? Porque o sacerdócio era hereditário, seu legado seria passado ao seu filho, e sem descendentes sua linhagem desapareceria; contudo, nem por isso ele e sua mulher deixaram de orar, de serem justos e de temerem a Deus. Zacarias não repudiou sua mulher porque ela não podia lhe dar filhos, e nem tentou dar um ajudinha como Abraão e Sara fizeram. Que Zacarias e Isabel sirvam de lição aos casais de hoje, que escolhem o divórcio como única opção quando se deparam com as dificuldades inerentes à vida conjugal; porém, os servos de Deus nunca optam pela separação, porque Deus odeia o divórcio [Ml. 2:16].

1 Coríntios 7:10,11. (10). Aos casados dou este mandamento, não eu, mas o Senhor: que a esposa não se separe do seu marido. (11). Mas, se o fizer que permaneça sem se casar ou, então, reconcilie-se com o seu marido. E o marido não se divorcie da sua mulher.

Paulo diz que a perseverança conjugal entre marido e mulher, não é uma opção, mas um mandamento do Senhor; isto é, o casamento é para toda vida onde os erros devem ser perdoados e os acertos comemorados; pois o marido não tem mais direito sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher; e a mulher não tem mais direito sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido [1 Cor 7:4]. E Jesus ensinou aos fariseus, que Moisés só permitiu o divórcio por causa da “dureza do coração” deles (Moisés teve que administrar o erro daqueles israelitas que estavam repudiando suas esposas sem qualquer consideração à Lei divina; e para impedir que virasse uma imoralidade, Moisés legislou por conta própria – para saber mais leia: Dt. 24:1-4), ou seja, um coração duro nunca quer perdoar o erro do outro; e Jesus continuou dizendo que “no princípio da criação”, Deus os fez homem e mulher, e que ambos se tornam uma só carne quando unidos pelo casamento, isto é, não são mais dois seres ou duas carnes, mas um ser e uma só carne. Portanto, o que Deus uniu – estabeleceu como lei por meio de sua Palavra – não separe o homem [Mc. 10:2-12].

Mas, voltando a Zacarias, o fato de o anjo Gabriel tê-lo deixado surdo/mudo foi uma bênção, porque o impediu de ouvir as vozes da incredulidade ao seu redor, e também o calou para que não fraquejasse na fé por causa dos incrédulos (sabemos que mulheres acima de 40 anos que engravidam, têm gestações de risco, tanto para ela como para a criança, e Isabel era muito idosa); mas a sua alma ficou no silêncio, na quietude; só ouvindo em meditações, por nove meses, as palavras do anjo que disse:

(13). Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João {pois: “Jeová é um doador gracioso”}. (14). E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, (15). Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. (16). E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, (17). E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos {Ml. 4:5,6}, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. [Lucas 1:13-17].

A NECESSIDADE DO SILÊNCIO.

Como nós precisamos ficar surdos e mudos diante de tantas coisas que estão em voga nestes dias; tantas ameaças à fé, tantas urgências inúteis, e tantos clamores vãos que afloram nas mentes cheias do mundo, mas vazias de Cristo, as quais só sabem murmurar e reclamar da vida, não reconhecendo a poderosa mão do Senhor sobre toda história do homem neste mundo.

Salmos 4:4. “Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos.

Quando os filhos de Israel chegaram diante do Mar Vermelho e viram faraó e seu exército se aproximando; eles disseram a Moisés: (12). Não é esta a palavra que te falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto. (13). Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes; nunca mais os tornareis a ver. (14). O Senhor pelejará por vós, e vós "vos calareis. [Êxodo 14:12-14].

É só ficarmos quietos para vermos o livramento do Senhor". Que maravilha!

Deus nos ajude a calarmos nossos lábios e fecharmos os nossos ouvidos ante as impossibilidades desta vida; Deus nos guie a falar e a ouvir somente quando estivermos cheios do Espírito Santo, como Zacarias quando profetizou no dia da circuncisão de seu primogênito; que Deus nos faça desviar os nossos pés dos caminhos dos ímpios [Sl. 1:1,6], do mesmo modo que Isabel o fez, se ocultando por cinco meses para aproveitar ao máximo seu momento, sua nova condição, pois, escondida dos falatórios, ela não deu lugar em sua casa àqueles “incomodados” com a sua bênção.

Salmos 46:10,11. (10). Aquietai-vos, e sabei que Eu Sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. (11). O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.

Elias foi mandado ao Horebe, o monte de Deus, e lá ele se escondeu numa caverna, mas o anjo lhe disse para que saísse da caverna, e ficasse perante o Senhor. Então passou um furacão, mas o Senhor não estava no furacão; após o furacão, um grande terremoto aconteceu, mas o Senhor não estava no terremoto; logo em seguida ao terremoto, um incêndio que queimou toda terra, mas também o Senhor não estava no fogo; depois destas coisas, Elias ouviu um cicio suave, uma brisa leve sobre as folhas nas copas das árvores; então, Elias cobriu seu rosto com sua capa e saiu da caverna para ouvir a voz de Deus, pois era o Espírito de Deus que se movia ao encontro de Elias (1 Reis 19:11-13).

Ev. Levi.

EU E MEUS ANTEPASSADOS.

Mateus 1:17De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a babilônia até Cristo, catorze gerações.

Quando eu era jovem ouvi um pregador dizer que todas as passagens bíblicas têm algo para nos ensinar; pois “Toda Escritura é divinamente inspirada” [2 Tm. 3:16]. 

Quantos de nós nos lembramos dos nomes dos nossos avós? E dos bisavós? Ou dos tataravós? Eu mesmo só sei o nome dos meus avós maternos e da minha avó paterna, e de mais ninguém...

As gerações de meus ascendentes.

Eu sou 1; meus pais são 2, meus avós são 4; meus bisavós 8; meus tataravós 16;... 32, 64, 128, 256, 512, 1.024, 2.048, 4.096, 8.192, 16.384...

Aqui, acima, exponho as catorze gerações que existiram antes de mim até meu nascimento em 27 de Junho de 1.962. E segundo o Salmo de Moisés [Sl. 90:10] o tempo de vida de uma geração é de 70 anos; então se eu multiplicar as 14 gerações dos meus antepassados por 70 anos, o resultado é 980 anos, e se somarmos a este resultado os meus 60 anos de vida, nós teremos 1.040 anos; e se subtrairmos os 1.040 anos da nossa data atual, 2.023, voltaremos ao ano 983 d. C., e tudo isto nos leva ao final da Alta Idade Média (do Século 5 até o 10) e início da Baixa Idade Média (do Século 11 até o 15).

Algumas das grandes catástrofes no mundo:

[Apocalipse 6:5,6. (5). E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão. (6). E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.].

A Grande fome de 1.315-1.317 ou 1.322 - Na Europa foi a primeira de uma série de crises sociais em larga escala que atingiram o Continente no início do século 14, e causou milhões de mortes.

Leiam agora este poema do Rei Eduardo II (ano 1.321):

Quando Deus viu que o mundo era demasiado orgulhoso, Ele enviou uma escassez à Terra, e a tornou áspera. Um alqueire de trigo foi a quatro xelins ou mais, Do que os homens possam ter tido um quarto antes .... E então pálido ficou quem ria tão alto, E dóceis se tornaram quem antes era tão orgulhoso. O coração de um homem pode sangrar por ouvir o choro dos pobres homens que gritavam: “Ai! Para fome eu morro...!”.

As pestes e guerras que envolveram o Continente Europeu na idade Média:

[Apocalipse 6:7,8. (7). E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. (8). E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.].

A peste negra - conhecida como "peste bubônica" – foi uma pandemia que aconteceu em um surto que se estendeu de 1.347 a 1.353, e resultou na morte de cerca de mais de 50 milhões de pessoas.

Grande Praga de Milão (1629-1631) – Foi uma série de surtos de peste bubônica que atingiu as cidades do norte da Itália.

Grande Praga de Marselha (1720-1722) – Um novo surto de peste negra. Em dois anos, morreram aproximadamente 100 mil pessoas. Foi a última epidemia de peste bubônica na Europa.

A pandemia de cólera do século 19 (1816-1826) - Esta foi a primeira de sete pandemias de cólera que ocorreram durante os séculos 19 e 20 matando milhares de pessoas.

As Cruzadas: Primeira Cruzada (1.096-1.099); a Segunda Cruzada (1.147-1.149); a Terceira Cruzada (1.187-1.191); a Quarta Cruzada (1.202-1.204); a Quinta Cruzada (1.217-1.221); a Sexta Cruzada (1.228); a Sétima Cruzada (1.248-1.254); a Oitava cruzada (1.270); e a Nona cruzada (1.271-1.291). De acordo com estudos de historiadores, cerca de 1 milhão de pessoas - entre cristãos e muçulmanos - morreram devido as Cruzadas.

Outras guerras que envolveram os europeus:

1. Invasão mongol da Europa (1.241);

2. Guerra dos Cem Anos - entre Inglaterra e França (1.337-1.453);

3. Guerras Hussitas (1.420-1.436) - os seguidores de John Huss declaram guerra contra a Igreja Católica Romana;

4. A Guerra dos Treze Anos (1.454-1.466) - Conflito entre a Monarquia de Habsburgo e o Império Otomano, envolvendo a Valáquia, os Habsburgos, a Transilvânia, e a Moldávia, com a ajuda do Sacro Império Romano-Germânico.

Fico imaginando, quantas guerras, e pestes, e fomes, e outras catástrofes naturais como terremotos, enchentes, furacões, incêndios e secas que ocorreram nesses dez séculos de história; e quantos riscos de vida meus ancestrais passaram e sobreviveram para que eu viesse a existir.

Sim Deus me ama! Ele sempre me amou e sempre teve um plano guardado para mim entre os seus muitos outros, por causa das suas muitas misericórdias. O Senhor me amou, e isto muito antes que meus pais existissem; e é por isso que meus ancestrais passaram por muitos males e muitas catástrofes naturais, nos inúmeros perigos de seu tempo; mas Deus os manteve vivos! O Senhor sustentou àqueles que iriam gerar aos meus tataravós, e estes aos meus bisavós, e estes aos meus avós, e estes aos meus pais... O Senhor é soberano mesmo! Minha linhagem, da qual descendo, até a décima quarta geração dá um total de 32.766 vidas; pessoas, meus parentes que nunca conheci (exceto meus pais) e que nada sei sobre eles (exceto o nome dos meus avós)... Mas Deus tinha o plano de me gerar e de me regenerar em Cristo, Seu Filho. Então, tudo tinha que dar certo com eles; desde os seus relacionamentos até a preservação de suas vidas nas guerras, nas pandemias, nas catástrofes naturais, pois não poderiam morrer antes do “arranjo divino preparado para a história de cada um”; ou seja, ninguém poderia morrer sem deixar um filho capaz de gerar outro filho, e este por sua vez outro filho; e assim por diante... Quando o Senhor tem um plano para uma vida vir ao mundo é porque já dispõe de muitos outros já preparados e guardados, e que serão executados para o bem de todos os que estão aqui vivos neste presente século; pois Deus moldou toda história do mundo: "Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dEle são a sabedoria e a força; Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis" [Daniel 2:20,21]. Deus realmente sabe o que faz! Portanto, Ele dará um jeito nas coisas!

Mateus 6:25-30. 25. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? 26. Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? 27. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? 28. E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; 29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

Ev. Levi.

ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS [Hb. 6:1].

ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS. 

Baseado no sermão: Arrependimento é deixar o pecado; do Ev. Dwight Lyman Moody - 05/Fev/1837 – 22/Dez/1899.

 Preâmbulo.

 Tanto a igreja evangélica ocidental quanto o mundo sem Deus necessitam de um genuíno arrependimento de obras mortas, e isto precisa acontecer antes que algum bem possa ser feito na Terra [2 Cr. 7:13,14]. O baixo padrão de vida dos cristãos mantém muita gente cativa nos seus pecados. Se o incrédulo vê que o povo que se chama pelo Nome de Cristo não vive uma vida piedosa no temor do Senhor, isto é, mantêm um conduta semelhante aos de fora da igreja, não se pode esperar que pecadores se arrependam e se convertam de seu mau caminho. Nós crentes devemos nos arrepender diariamente, pois que conhecemos a Cristo, e que Ele é Santo, e que na nossa carne não habita bem algum [Rm. 7:18]; portanto, devemos vigiar sobre qualquer passo dado neste presente século, visto que levamos o Seu nome diante de crentes e incrédulos [1 Cor. 10:32]. Por isso, o tema: “arrependimento”; não se trata apenas de uma ordenança do Senhor àqueles que estão fora do Corpo de Cristo, mas também de uma doutrina que deve ter primazia entre os Cristãos, pois há muitos crentes “coxeando entre dois pensamentos” [1 Reis 18:21]. Cristo, porém, afirmou: “Ninguém pode servir a dois senhores” [Mt. 6:24]; pois quem vive indeciso entre Jesus e o mundo não alcançará nada de Deus [Tg. 1:7,8], senão somente o juízo; também o autor da Carta aos Hebreus nos exorta: “Fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie, mas seja sarado” [Hb. 12:13]. E sendo assim, pregar arrependimento serve tanto para os cristãos como para os perdidos, tanto para aquele que está firme na fé, como para quem manqueja nela, pois conhecer a Cristo como seu salvador e redentor (quem resgata ou liberta alguém da pena de um crime ou de uma dívida, por meio do pagamento compensatório exigido) é o dever de todos.

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OS CINCO ESTÁGIOS DO ARREPENDIMENTO:

1. Convicção.           

2. Contrição.

3. Confissão de pecado.

4. Conversão.

5. Confissão de Cristo diante do mundo.

1. CONVICÇÃO. Se alguém não está convicto de que é um pecador e que não pode confiar na sua carne [Fl. 3:3,4] é um sinal de que ainda não se arrependeu de verdade; pois se ele pensa que não era tão mal antes de ingressar no Corpo de Cristo é porque está resistindo ao Espírito Santo [At. 7:51]. Uma convicção superficial de pecados fará com que crentes professos voltem às práticas de suas velhas vidas [Gl. 5:19-21]. E nestes últimos anos, muitos pregadores cristãos estão aparentemente mais ansiosos por uma profunda e verdadeira obra de Deus entre os membros de igrejas, do que alcançar um grande número de almas perdidas para o Reino do Céu. Porque se alguém confessa ser convertido, mas não reconhece a atrocidade de seus pecados, provavelmente se transformará num ouvinte endurecido [Tg. 1:22], e este não irá muito longe pelo caminho de Deus, pois no primeiro sopro de oposição, na primeira onda de perseguição ou quando os escarnecedores ridicularizarem a sua fé no Evangelho; ele voltará para os braços do mundo. É um erro lamentável tantas pessoas ingressarem nas igrejas sem nunca ter experimentado a verdadeira convicção de pecados; por causa de pregações vazias do Evangelho de Cristo, mas cheias de barulho, de persuasão humana e materialista, o pecado no coração do homem é tão sombrio hoje quanto o foi em qualquer outra época, e, às vezes, mais tenebroso ainda. Porque quanto maior for “a luz” [o acesso e as facilidades da informação] em que uma pessoa está vivendo, maior será diante de Deus sua responsabilidade, e, por conseguinte, maior a sua necessidade de profunda convicção do pecado [Lc.12:48]. Se não alcançarmos uma convicção de pecados que nos faça cair de joelhos aos pés de Deus, que nos faça completamente humilhados perante Ele ao ponto de termos perdido toda esperança em nós mesmos, não podemos encontrar o Salvador Jesus. “Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os doentes” [Mt. 9:12].

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Há três elementos que nos levam à verdadeira convicção: (a) A Consciência; (b) A Palavra de Deus; (c) O Espírito Santo. E todos os três são usados por Deus. 

(a). A CONSCIÊNCIA. Muito antes de existir a Palavra de Deus escrita, o Senhor tratava com o homem através da consciência. Foi por isto que Adão e Eva se esconderam da presença de Deus, entre as árvores do Jardim do Éden; e foi também a consciência quem acusou o pecado dos irmãos de José quando disseram: "Na verdade, somos culpados, acerca do nosso irmão, pois vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava; nós porém não o acudimos, por isso vem sobre nós esta angústia" [Gn. 42:21] - (lembremo-nos, que mais de vinte anos se passaram depois que eles o venderam como cativo).

É a consciência do bem e do mal – do que é certo e do que é errado – que devemos usar com nossos filhos para inculcar-lhes o temor do Senhor, e isto antes deles atingirem a idade de poder entender a Palavra de Deus. E é a consciência que acusa ou inocenta o ímpio [Rm. 2:15]. A consciência é uma faculdade divinamente implantada no homem, que pede a ele que faça o que é certo e que o acusa quando fizer o que é errado; ela nasceu quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, pois foi quando seus “olhos se abriram” que eles conheceram o bem e o mal.

A consciência julgará os nossos pensamentos, palavras, e ações, mesmo contra nossa vontade, quer seja aprovando as ações ou condenando-as, isto de acordo com a sua avaliação de certo ou errado. Ninguém pode violar sua consciência sem sentir a sua condenação. Porém, a consciência não é um guia seguro, porque ela só dirá que uma coisa é errada depois de você a praticar. Portanto, ela precisa ser iluminada por Deus porque faz parte de nossa natureza caída [Pv. 20:27; Rm. 8:16 e 1 Ts. 5:19]. E muitas pessoas fazem o que é errado sem serem condenadas pela consciência, não porque ela não está agindo, mas porque foi sufocada por um tempo, contudo, mais cedo ou mais tarde ela gritará! Vejam o que o apóstolo Paulo disse: "Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o Nome de Jesus, o Nazareno" [At. 26:9]. Mas mesmo praticando o mal como se fosse o certo a fazer, no íntimo, Paulo sentia as agulhadas da sua consciência [At. 26:14]. Portanto, a própria consciência precisa ser educada por Deus; pois assim como um relógio despertador que acorda um sonolento, mas que com o tempo o dorminhoco se acostuma com seu alarme e o relógio perde o seu efeito, da mesma forma a consciência também pode ser ignorada.

Obs:- A humanidade vem se sobrecarregando continuamente de tantas “cargas mundanas” para fazer silenciar a voz de suas consciências, que acabam induzidas a considerar o errado como certo, e o certo como errado. Creio que se as pessoas deixassem de sufocar suas consciências com bebidas alcoólicas, gritaria, músicas barulhentas, sensualidade, pornografia, escárnio, drogas, com a cobiça e com o consumismo dos bens mundanos, elas, ou se converteriam a Deus ou cometeriam suicídio. Creio que é um erro não dirigirmos mais pregações voltadas para a consciência humana... Contudo, no devido tempo, a consciência foi suplantada pela Lei de Deus [Rm. 7:9 e 1 Cor. 13:11], e a Lei, no seu tempo exato se cumpriu em Cristo [Rm. 7:23-25 e Hb. 9:6-11].

(b). A PALAVRA DE DEUS. Neste país cristão, onde muitas pessoas têm Bíblias, a Escritura Sagrada é o meio que Deus usa para produzir a convicção de pecado nos corações humanos. A Bíblia nos diz o que é certo e o que é errado antes de cometermos o pecado [Rm. 15:4 e 1 Cor. 10:6-12], e assim, o que precisamos é conhecê-la para tomar posse de seus ensinos, mas sob a direção do Espírito Santo; pois a luz da nossa  consciência comparada à Bíblia será como uma vela comparada ao sol.

Vejamos agora como a Palavra de Deus convenceu aquela multidão de judeus no dia de Pentecostes; pois Lucas escreveu que, cheio do Espírito Santo, Pedro pregou as Escrituras começando no Livro de Joel [cap. 2], passou pelo o Livro dos Salmos [cap. 16], e intercalou os textos que expôs com o testemunho da morte e ressurreição de Cristo; e assim concluiu dizendo: "Saiba, pois, com certeza toda casa de Israel que, a este Jesus, que vós crucificastes; Deus o fez Senhor e Cristo". "E ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos nós, irmãos?" [At. 2:36,37].

(c). O ESPÍRITO SANTO. Em terceiro lugar, enfim, o Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo [João 16:8]. As mais poderosas reuniões da igreja são aquelas em que há uma espécie de quietude sobre os ouvintes, pois é quando o poder invisível do Espírito de Deus se apodera das consciências.

Isaías tem uma visão; ele vê o Senhor assentado num alto e sublime trono, vê a orla do seu manto encher o Templo; vê os serafins voando por cima dEle, e vê que esses “seres ardentes” possuem seis asas, e que com duas delas “cobriam seus pés” [Ecl. 5:1], e com duas, em sinal de reverência, cobriam seus rostos [Sl. 89:7], e com duas voavam [Sl. 104:4]; eles clamavam uns aos outros: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos, toda a Terra está cheia da sua glória! E a soleira e os batentes das portas se moveram à voz dos que clamavam, e a Casa se encheu da fumaça: da nuvem da glória do Senhor – “Deus entrou em Sua Casa”.  _ Um senso de reverência veio sobre Isaías, e naquela mesma hora sentiu a convicção de seus pecados e disse: “Ai de mim que vou perecendo, pois sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o Senhor dos Exércitos” [Isaías 6:1-5].

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2. CONTRIÇÃO. O próximo degrau para o arrependimento é a contrição, que é um profundo sentimento de tristeza, mas segundo Deus [2 Cor. 7:9,10], e de humilhação no coração por causa do pecado. Se não houver verdadeira contrição será porque o não houve uma real convicção de pecado (1º degrau), e aí voltaremos direto para o velho homem; este é um problema recorrente de muitos cristãos. Uma filha pode ofender sua mãe, e porque a sua consciência lhe perturba, então ela pede perdão, mas se não houve uma contrição, um pesar de culpa por tê-la ofendido e quebrado um princípio bíblico [Êx. 20:12], depois de algum tempo poderá repetir o mesmo ato impulsivo.

Deus quer de nós é a CONTRIÇÃO (profunda tristeza acompanhada de arrependimento em consequência da quebra da lei de Deus; um sentimento de culpa por ofensas praticadas contra Deus ou contra o próximo. Ver: Is. 59:12 e Mt. 22:37-40), e se não houver contrição, não haverá arrependimento completo; pois: "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido" [Sl. 34:18]; e: "Coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus" [Sl. 51:17b].

Muitos pecadores sofrem por seus pecados e lamentam por sua situação, porque não suportam mais continuar pecando; contudo, não se arrependem com seus corações quebrantados, porque a humanidade não sabe como se arrepender de verdade; o sentimento de miséria que brota no coração de um homem sem Deus, se não for direcionado para a fé em Jesus Cristo, isto é, se ele não foi convencido do seu pecado pela ação Espírito Santo, seu pesar de coração se transforma em remorso; nós bem sabemos o fim da história de Judas depois de se arrepender por ter traído ao Senhor Jesus.

Quebrantado – segundo a Bíblia – é sinônimo de enfraquecer, de adoecer; ou seja, um coração quebrantado é um coração enfraquecido, adoecido, e Jesus expõe esta questão, dizendo que todos os pensamentos e desejos provêm do coração, da alma humana [Mt. 15:18,19]; então, esse coração pecador precisa ser “enfraquecido”, isto é, precisa perder a vontade de pecar; o pecador necessita reconhecer que está “doente” na alma para se arrepender de verdade, e só então estará pronto para procurar a ajuda de Jesus Cristo [Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” – Marcos 2:17].

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3. CONFISSÃO DE PECADO. Se tivermos convicção e verdadeira contrição, elas nos levarão a confessarmos nossos pecados. A maior parte dos problemas da vida cristã resulta da não confissão dos pecados. Temos a tendência de esconder nossos pecados debaixo de aparências de santidade; os fariseus do tempo de Cristo faziam isto religiosamente e se orgulhavam disso [ver o cap. de Mt. 23]. Não havia confissão neles nem diante de Deus [ver Lc. 18:9-12 – o fariseu e o publicano orando no Templo]. Alguém já disse: "Pecados não confessados são como uma bala alojada no corpo". Se você não tiver domínio sobre a carne, talvez seja porque há algum pecado que precisa ser confessado, tem alguma coisa em sua vida que necessita ser removida, como uma bala alojada que precisa ser extraída do corpo, para que a ferida fique limpa e cicatrize. Não importa quantos salmos e hinos você cante, ou às quantas reuniões da igreja você compareça, ou o quanto você ora e lê a sua Bíblia, nada disso expulsará esse tipo de problema.

O pecado deve ser confessado, mas se o meu orgulho me impede de confessá-lo, não devo esperar a misericórdia de Deus e nem respostas às minhas orações, porque “Deus não ouve a pecadores” [João 9:31]. Mas que fique bem claro que ter domínio próprio não exclui a possibilidade de pecar, pois ainda vivemos no mundo, porém pecar para um crente não é regra, mas exceção, um “acidente no percurso desta vida”; um crente fiel não vive pecando, porque a semente de Deus está nele, por isso não pode pecar, porque nasceu de Deus [1 João 3:9].

A Bíblia diz: "O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará" [Pv 28:13]. Pode ser um pastor, um sacerdote, ou um rei no trono; não importa quem quer que seja; a humanidade vem tentando fazê-lo há seis mil anos, mas como Adão tentou e falhou [Gn. 3:8], e como Moisés também tentou – quando enterrou na areia o egípcio que matou – e falhou [Êx. 2:11-14].

"Sabei que o vosso pecado vos há de achar" [Nm. 32:26b].

“A sua obra cairá sobre a sua cabeça” [Sl. 7:16a].

Se o pecado não for coberto e apagado pelo sangue de Jesus, por mais que tentemos escondê-lo, um dia ele tornará a aparecer e reclamará o senhorio de nossa vida. Se ninguém nunca conseguiu fazer isso em seis mil anos é melhor nós desistirmos de tentar; pois só se é livre do pecado, se o Filho nos libertar [João 8:36].

Três tipos de confissão – Todo pecado é contra Deus [1 João 5:17], e a Ele deve ser confessado, todavia há três maneiras de confessá-los; pois há pecados que eu não preciso confessar a ninguém no mundo, senão a Deus, porque se o meu pecado foi somente contra Deus, devo confessá-lo sozinho no meu quarto (não preciso dizê-lo no ouvido de nenhum mortal).

O filho pródigo - arrependido de sua miséria - confessou: "Pai, pequei contra o céu e diante de Ti" [Lc. 15:18]... E Davi também – depois de ser confrontado por Natã [2 Sm. 12:1-13] - confessou: "Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos" [Sl. 51:4a] (Obs:- Porém, lendo o que Davi escreveu no Salmo 51:4, alguém poderá dizer: “Mas Davi não pecou ‘somente contra Deus’, pecou também contra Urias”; sim é claro que Davi pecou contra o marido de Bate-Seba, mas Urias já estava morto [2 Sm. 11:17] e Davi não podia mais pedir seu perdão, senão somente o de Deus – ler: 2 Sm. 12:1-13). Agora, se eu pecar contra uma pessoa, mesmo que ela não saiba que a prejudiquei, eu deverei confessar o meu pecado não somente a Deus, mas também a quem prejudiquei. E se o meu orgulho me impedir de confessar a quem prejudiquei, não tenho o direito de me dirigir a Deus; posso orar, posso chorar, mas isso não adiantará nada, porque estou devendo àquela pessoa minha confissão; só depois de “pagar o que devo”, Deus me ouvirá e aceitará a minha oferta, e então verei com que rapidez o Senhor me aceitará e me enviará a Sua paz. "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta". [Mt 5:23,24]. Este é o caminho bíblico e não há outro.

1 João 1:7. Mas, se andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.

Há outra classe de pecados que devem ser confessados em público. Suponhamos que fui publicamente conhecido como um blasfemador, um alcoólatra ou um depravado. Se me arrependo de meus pecados, devo ao público uma confissão direta dos meus erros. A confissão deve ser tão pública quanto foi a minha transgressão. Muitas vezes uma pessoa dirá algo maldoso a respeito de outra na presença de terceiros, e então tentará apaziguar isso indo somente àquele que prejudicou. Não! A confissão deverá ser feita de forma que todos os que ouviram a transgressão, também possam ouvir a confissão. Somos bons em ver o pecado de outras pessoas, mas se experimentarmos um verdadeiro arrependimento, nós ficaremos mais que ocupados cuidando dos nossos próprios pecados; pois quando alguém dá uma boa olhada no “espelho de Deus”, não encontrará ali as faltas dos outros, mas somente as suas; e há coisas demais a ver em si mesmo quando estamos na presença de Deus [Is. 6:1-5]; com uma trave nos olhos é impossível enxergar direito para tirar o cisco no olho do irmão [Mt. 7:3-5].

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" – 1 João 1:9.

“Obrigado Senhor pelo teu Evangelho”! Crentes, se há algum pecado em suas vidas, hoje mesmo resolvam confessá-lo e sejam perdoados. Não deixem nenhuma incerteza entre vocês e Deus. “Garantam o seu título para a mansão que Cristo foi preparar para nós”.

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4. CONVERSÃO. A confissão leva à verdadeira conversão, e não pode haver uma verdadeira conversão até que se tenha passado por estes três estágios: 1º. Convicção, 2º. Contrição e 3º. Confissão de pecados.

Dizemos que uma pessoa é "convertida" quando “nasce de novo”, mas conversão tem também outro significado na Bíblia. O apóstolo Pedro disse: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos..." [At. 3:19a]. Existe uma versão [NVI] que traduz assim: "Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus...". E Paulo disse que não foi desobediente à visão celestial, mas começou a pregar a judeus e gentios para que se arrependessem e se voltassem para Deus.

Certo teólogo de outra época disse: “Todos nós nascemos de costas para Deus; o arrependimento é uma mudança de trajetória é uma volta de cento e oitenta graus. Se o pecado é afastar-se de Deus, a conversão é voltar-se para Ele; pois como alguém já disse: “Pecado é a aversão a Deus e a conversão para o mundo”; então, o verdadeiro arrependimento é a conversão para Deus e a aversão ao mundo. Quando há verdadeira contrição, o coração está entristecido por causa do pecado; e quando há verdadeira conversão, o coração fica liberto do pecado. Aí, então, deixamos a velha vida, e somos “tirados da potestade das trevas e transportados para o reino do Filho do Seu amor” [Cl. 1:13]; e isto é maravilhoso! Portanto, se no nosso arrependimento não houver essa conversão, essa volta a Deus com o coração consciente de que infringimos a Sua Lei, e que a nossa alma está doente e precisa de ajuda, e que somente Ele pode nos livrar dos nossos pecados, o nosso arrependimento não vale muito, na verdade não nos vale de nada. Se alguém continua no pecado e amando o que desagrada a Deus, a sua profissão de fé é inútil; confessá-lo como Senhor, mas sem obedecê-lo [Lc. 6:46] é possuir uma fé morta [Tg. 2:26].

Salomão orou: “Quando os céus se fecharem, e não houver chuva, por terem pecado contra ti, e orarem neste lugar, e confessarem teu Nome, e se converterem dos seus pecados, quando Tu os afligires, Então, ouve Tu desde os céus, e perdoa o pecado dos teus servos, e do teu povo Israel, ensinando-lhes o bom caminho, em que andem; e dá chuva sobre a tua terra, que deste ao teu povo em herança” [2 Cr. 6:26,27]...

.... E o Senhor respondeu: "Se o meu povo, que se chama pelo meu Nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra" [2 Cr 7:14].

Vejam que a oração e a confissão não seriam de proveito nenhum se o povo continuasse em pecado. Vamos prestar mais atenção ao chamado de Deus; vamos nos despojar do velho homem e nos revestir do Novo [Ef. 4:22,23], abandonemos a vã maneira de viver que por tradição recebemos dos nossos pais [1 Pe. 1:18]. Voltemos ao Senhor, e Ele terá misericórdia de nós, voltemos ao nosso Deus, porque Ele nos perdoará, pois é abundantemente misericordioso [Sl. 119:156].

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5. A CONFISSÃO DE CRISTO AO MUNDO. Se você é convertido, o próximo passo é confessar isso abertamente. Leiamos isto:

"Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" [Rm 10:9, 10].

A confissão de Cristo é o clímax da obra do arrependimento; porém, a confissão de Cristo ao mundo só se dará, verdadeiramente, depois de passarmos pelos quatro estágios do arrependimento, os quais são: 1º. Convicção (eu reconheço que sou um pecador diante de Deus), 2º. Contrição (eu reconheço que estou doente e preciso da ajuda divina), 3º. Confissão de pecado (eu reconheço que preciso reparar meu erro, seja com Deus ou com os homens) e 4º. Conversão (eu reconheço que só posso voltar ao Pai por meio do Seu Filho Jesus). Então, a confissão de Cristo de agora em diante será um dever de cada cristão renascido da água da Palavra de Deus e do Espírito Santo (Deus é Espírito e seus adoradores o adoram em espírito e em verdade) [João 3:5,6 e 4:24]; todos nós cristãos devemos isto a Cristo, ao mundo, aos nossos semelhantes e a nós mesmos [Rm. 13:8]. O nosso Senhor Jesus morreu para nos redimir de todo pecado e de toda injustiça; porventura poderíamos estar envergonhados ou com medo de confessá-Lo? Uma religião abstrata, isto é, não vivida e nem praticada e tida como uma doutrina fora da realidade; será inútil para este mundo perdido e sem serventia para Deus. Mas o testemunho de uma experiência pessoal vivida com Deus, sempre terá peso nesta Terra e no Céu.

----------------------------------------------------------------------------------------------------CONCLUSÃO.

Irmãos em Cristo, eu creio que todos os crentes se cansariam do cristianismo medíocre que têm vivido se, quando na presença de Deus, se pusessem no seu devido lugar, tal como está escrito em Ecl. 5:1 (Guarda o teu pé, quando entrares na presença de Deus...); mas nós, quando nos chegamos a Deus, ao invés de pedir “coisinhas” egoístas, vaidades mesquinhas, frutos de filhos mimados que somos; deveríamos entender que um servo não trabalha visando seus próprios interesses, mas labuta pelos do seu Senhor. Neemias 8:10; lembram-se? [“A alegria do Senhor é a nossa força!”]. Então vamos nos entregar cem por cento por Cristo e para Cristo; vamos fazer valer cada gota de sangue que Ele verteu por nós desde o Getsêmani até o Calvário. Não vamos dar um som inseguro; “Porque se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” [1 Cor. 14:8]. Mas se o mundo quer nos chamar de tolos, que o faça; é apenas por um pouco de tempo, pois o dia da coroação está chegando...

“Graças a Deus pelo Seu dom inefável”! [2 Cor. 9:15]. Graças a Deus pelo privilégio que temos de confessar ao mundo que Jesus Cristo é o nosso Senhor! Amém!

 Ev. Levi.