MANANCIAL

MANANCIAL
"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

domingo, 25 de março de 2018

A VERDADE POR TRÁS DA VERDADE OFICIAL.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32).

A palavra “conhecer” – a verdade – do verso acima tem, segundo a Bíblia, um sentido mais profundo do que um simples “saber” – a verdade.

No dicionário Strong a palavra “conhecer”, no grego é “ginosko” que significa, além de “saber por experimentação”, “ter intimidade”.

“Ginosko” é a mesma palavra usada por Maria quando ela perguntou ao anjo Gabriel: Como se fará isto, visto que não “conheço” varão? (Lucas 1:34); “ginosko” pode ser entendido aqui como “intimidade sexual”, pois Maria era virgem e estava desposada, isto é, comprometida com José, porém eles ainda não haviam se ajuntado para coabitar maritalmente porque aguardavam o tempo das núpcias chegar.

Mesmo no Antigo Testamento a palavra “conhecer” – Yada no hebraico – tem a conotação de “dar-se em casamento”, de “ter intimidade”, de uma relação sexual. Vejam o mesmo caso em Gênesis 4:1,17; Juízes 11:39; 1 Reis 1:4. Portanto, “conhecer a verdade” não significa apenas saber a verdade, mas ter intimidade com ela, coabitar com ela, ter relações íntimas com ela, engravidar-se dela para ter filhos com ela.

O PAI DA MENTIRA É O DIABO (João 8:44).

“E sereis como Deus...” (Gênesis 3:5).

Satanás vendeu a maior mentira de todo o universo ao homem, e ainda hoje tem gente comprando essa ideia estúpida; mas... por que as pessoas se deixam enganar? Bem! Nós seres humanos temos um fraco pela lisonja; não podemos fazer nada, essa coisa está agarrada ao nosso ego. Basta alguém nos agradar com palavras, promessas e elogios falsos, que nós caímos facilmente. Por quê isso acontece?! Porque nós amamos a mentira. Exemplo: Se somos gordos, gostamos de ouvir quando as pessoas dizem que emagrecemos, mesmo que não tenhamos perdido um quilo sequer; se somos feios, mentimos para nós mesmos diante do espelho que somos bonitos; se não sabemos nada sobre determinado assunto, não gostamos quando nos chamam de ignorantes. Então, temos muito mais intimidade com as coisas de Satanás, isto é, com a mentira, do que com as coisas de Deus, ou seja, com a verdade. E isto é um fato explicitado em tudo aquilo que ouvimos, vemos e aprendemos diariamente das Tvs, das escolas, dos jornais e das revistas, nas "incontestáveis verdades oficiais” do mundo.

ESVAZIE O COPO.

Quando eu era mais jovem gostava de assistir filmes de ação, mesmos se fossem os mais tolos possíveis, pois não tinha nenhum senso crítico; bastava o cartaz dizer que "fulano de tal" atuava na película, que lá ia eu assistir aquela droga. E certa noite, sabendo da estréia de um filme com meu astro favorito, fui ao cinema. O enredo da história era de um jovem que queria ser um bom lutador de kung fu, mas ele aprendeu tanta coisa errada
que nada lhe valia. Então o rapaz se isolou do mundo para meditar na sua técnica; num dado momento, um "mestre" aparece para ensinar ao rapaz o verdadeiro kung fu; aí, nessa parte da trama, o tal professor de artes marciais expõe, numa ilustração, como estava o conhecimento adquirido pelo garoto, e como seria a disciplina que ele lhe oferecia. Bem! O sujeito pegou um copo com água pela metade e uma garrafa de refrigerante cheia, e disse ao moço que a água era o que o garoto havia aprendido durante sua vida, e que o refrigerante era o “kung fu” que o mestre estava disposto a ensinar; e então virou o conteúdo da garrafa no copo com água que, da mistura de ambos os líquidos, começou a transbordar; imediatamente o discípulo exclamou: “Está entornando mestre”! E o homem replicou: “Esvazie o copo”! E daí jogou fora aquela mistura e encheu o recipiente somente com o refrigerante... 
Dá o que pensar não é?

Paulo, o apóstolo, escreveu: “... Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E NÃO VOS EMBRIAGUEIS COM O VINHO, em que há contenda, mas ENCHEI-VOS DO ESPÍRITO... (Efésios 5:14-18). E em Filipenses 2:5-8, ele diz: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas ESVAZIOU-SE A SI MESMO, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

Quando deixarmos de lado o nosso ego inchado pelo que pensamos saber da verdade, ou melhor, da falsa verdade que nos ensinaram nas escolas, nos programas de Tv, nas rádios, nos jornais, na história oficial dos governos e nas publicações da aclamada “ciência”, ou seja, quando “esvaziarmos o copo”, isto é, nos esvaziarmos de toda a mentira aprendida durante toda nossa vida, então estaremos aptos a deixar “pai e mãe”, e nos unirmos à verdade, e sermos “um” com ela.

Deus quer nos ensinar a verdade; Jesus disse: Eu Sou o Caminho, a Verdade, e a Vida (João 14:6); portanto, tendo (a Cristo) um grande sacerdote sobre a Casa de Deus, cheguemo-nos a Ele com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os nossos corações purificados da má consciência (esvaziado das mentiras deste mundo), e o corpo lavado com água limpa (limpos pela Sua Palavra), retenhamos firmemente a confissão da nossa esperança (não misturando a fé cristã com os fermentos humanos); porque fiel é o que prometeu (Deus tem toda verdade que precisamos) (Hebreus 10:21-23).

L. M. S.      

sábado, 3 de março de 2018

EXPLICAÇÃO DE MATEUS 27:50-54 - A RESSURREIÇÃO DOS SANTOS.

1) O QUE REALMENTE ACONTECEU EM MATEUS 27?

Mateus 27:47-54.

47. E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias,
48. E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.
49. Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.
50. E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito.
51. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;
52. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
53. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.
54. E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.

2) HOUVE REALMENTE UMA RESSURREIÇÃO FÍSICA DE MORTOS?

Ezequiel 37:7-13

7. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.
8. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito.
9. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.
10. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo.
11. Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados.
12. Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que Eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
13. E sabereis que Eu sou o Senhor, quando Eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.

3) HOUVE REALMENTE UMA RESSURREIÇÃO DOS SANTOS EM CORPOS GLORIFICADOS?

Mateus 27:51. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras...

Zacarias 14:1-11

1. Eis que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti.
2. Porque Eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade.
3. E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha.
4. E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.
5. E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo.
6. E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão.
7. Mas será um dia conhecido do Senhor; nem dia nem noite será; mas acontecerá que ao cair da tarde haverá luz.
8. Naquele dia também acontecerá que sairão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e metade delas para o mar ocidental; no verão e no inverno sucederá isto.
9. E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome.
10. Toda a terra em redor se tornará em planície, desde Geba até Rimom, ao sul de Jerusalém, e ela será exaltada, e habitada no seu lugar, desde a porta de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à porta da esquina, e desde a torre de Hananeel até aos lagares do rei.
11. E habitarão nela, e não haverá mais destruição, porque Jerusalém habitará segura.

Salmos 68:18-22

18. Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre eles.
19. Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de benefícios; o Deus que é a nossa salvação.
20. O nosso Deus é o Deus da salvação; e a DEUS, o Senhor, pertencem os livramentos da morte.
21. Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de seus inimigos e o crânio cabeludo do que anda em suas culpas.
22. Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basã, farei voltar o meu povo das profundezas do mar;

Efésios 4:8-16

8. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens.
9. Ora, isto? Ele subiu? Que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?
10. Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.
11. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
12. Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
13. Até que todos nós cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
14. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
15. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
16. Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

4) MAS, ENTÃO O QUE ACONTECEU EM MATEUS 27:50-54?

Seguramente creio, pelo do Espírito Santo, que o evangelista Mateus nos revela as implicações causadas ao mundo pela obra salvadora divina, obra esta consumada na morte e ressurreição de Cristo Jesus, e por isso ele nos deixou registrado este texto no seu Evangelho. 

Ele viu:

a) O Véu do Templo rasgado de "alto a baixo" - Hebreus 10:19 _Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, 20. Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne...

b) A Terra tremer e as pedras serem fendidas - Salmos 18:5 _Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam. 6. Na angústia invoquei ao Senhor, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face. 7. Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.

c) Os sepulcros se abrirem, e os corpos dos santos ressuscitarem - Ezequiel 37:12 _Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.

d) Os santos saírem dos sepulcros (depois da ressurreição de Jesus), entrarem na "Cidade Santa", e aparecerem a muitos - 
João 6:40 _Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 
Apocalipse 11:11,12 _...o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram. 12 E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: "Subi para aqui". E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram.
Daniel 12:2 _E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.
Apocalipse 20:4 _E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. 5. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. 6. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.
Apocalipse 21:2 _E eu, João, vi a "Santa Cidade", a Nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. 3. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. 4. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. 5. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. 6. E disse-me mais: Está cumprido. Eu Sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. 7. Quem vencer herdará todas as coisas; e Eu serei seu Deus, e ele será meu filho.

5) MAS SE FOI UMA VISÃO DO APÓSTOLO MATEUS; COMO ESTÁ ESCRITO QUE O CENTURIÃO E OS DEMAIS TAMBÉM VIRAM?

Mateus 27:54 _E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, "vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido", tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.

6) MAS... O QUE É QUE ELES REALMENTE VIRAM?

Mateus 27:45,54 _E desde a hora sexta "houve trevas sobre toda a terra", até à hora nona... "vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido", tiveram grande temor...

Estas foram as coisas vistas por eles que naquele dia da crucificação "haviam sucedido":
a) as trevas da hora sexta até a nona,
b) a exclamação de Jesus que foi mal interpretada - eles pensaram que Ele chamava por Elias,
c) o grande brado de Cristo antes de render seu espírito,
d) o terremoto.

O centurião e os que com ele guardavam o corpo de Jesus na cruz, jamais poderiam ter visto o véu do Templo ser rasgado de alto a baixo por dois motivos:
1. Impossível de ser visto pela distancia entre o Gólgota e o Templo;
2. Impossível porque eles eram gentios, os gentios não podiam entrar no Templo e muito menos no lugar santo.

Eles também não poderiam ter visto os sepulcros se abrirem e os santos ressurretos saindo de suas tumbas por uma simples questão de tempo, pois Mateus salienta que tal fato sucederia somente após a ressurreição de Cristo (leia o verso 53).

CONCLUSÃO.

Mateus 27:50-54 é uma profecia cumprida e também que se há de cumprir; cumprida, pois foi predita pelos profetas à respeito de Jesus o Cristo (ministério, morte e ressurreição - leia: Isaías 53 e 61:1-3; Amós 9:11,12) porque a ressurreição dos mortos já experimentamos espiritualmente (Colossenses 2:12-15. Sepultados com Ele no batismo, Nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em Si mesmo.) e é uma profecia que se há de cumprir, pois ocorrerá fisicamente no dia da Sua vinda (1 Coríntios 15:51,52. Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.)

L. M. S.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

REINADO DE CLAUDIO CEZAR/ EXPULSÃO DOS JUDEUS DE ROMA/ EPÍSTOLA AOS ROMANOS.

Cláudio Imperador Romano de 41 dC a 54 dC.

Quarto imperador de Roma; filho de Druso, irmão de Tibério, e tio de Calígula, a quem sucedeu no trono, em 41 EC. Cláudio não era fisicamente muito forte, nem tinha muita força de vontade, e embora ele fosse interessado em história, em escrever e em outros empenhos acadêmicos, seus predecessores o julgaram mentalmente incompetente para manejar as rédeas do poder, e por isso eles favoreceram a outros como sucessores de Cezar. No entanto, durante o tumulto que se seguiu ao assassinato de Calígula, a Guarda Pretoriana prevaleceu e fez com que Cláudio fosse proclamado Imperador. Um de seus apoiadores nesta luta pelo poder foi Herodes Agripa I, a quem Cláudio recompensou por confirmar-lhe o reinado, e por acrescentar a Judéia e Samaria ao seu domínio. Cláudio conseguiu também granjear o favor do Senado. Sua quarta esposa supostamente o envenenou com cogumelos, em 54 EC, no 14.° ano do seu reinado. Nero assumiu então o poder.

“Uma grande fome... sobre toda a terra habitada” foi predita pelo profeta Ágabo, “a qual, de fato, ocorreu no tempo de Cláudio”. Isto precipitou “uma subministração de socorros” por parte dos cristãos em Antioquia para seus irmãos em Jerusalém e na Judéia. (Atos 11:27-30) Tal fome na Palestina, no reinado de Cláudio, é chamada por Josefo (Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], XX, 49-53 [ii, 5]; XX, 101 [v, 2]) de “grande fome”, e é datada de por volta de 46 EC.

EXPULSÃO DOS JUDEUS DE ROMA - ANO 49 OU INÍCIO DE 50 DC.

“Cláudio... ordenou que todos os judeus abandonassem Roma”, emitindo seu decreto em 49 ou no começo de 50 EC, no nono ano do seu reinado. O biógrafo e historiador romano Suetônio corrobora o banimento dos judeus de Roma, por ordem de Cláudio. (Claudius [Cláudio], XXV, 4) Em conseqüência desta ordem de expulsão, dois judeus cristãos, Áquila e Priscila, partiram de Roma para Corinto, onde pouco depois da sua chegada se encontraram com o apóstolo Paulo, na chegada dele ali provavelmente no outono setentrional do ano 50 EC. (Atos 18:1-3). Perto do começo do seu reinado, Cláudio estivera favoravelmente disposto para com os judeus, até mesmo ordenando tolerância para com eles e concedendo-lhes diversas liberdades em todo o império. No entanto, parece que muitos judeus em Roma eram bastante tumultuosos, o que resultou em Cláudio expulsá-los da cidade.

Fonte: https://wol.jw.org

CARTA AOS ROMANOS - Ano 57/58 d.C, + ou - 3 ou 4 anos após a morte de Claudio e + ou - 8 ou 9 anos depois da expulsão dos judeus de Roma.

Informações e dados importantes.

Autor: Sem dúvida a Carta aos Romanos é de autoria do apóstolo Paulo. É a carta mais longa dos escritos Paulinos. Num texto muito bem elaborado, ele praticamente coloca em forma ordenada o seu pensamento e pregação. Paulo nesta cata faz uma grande reflexão doutrinária, contendo seu ensinamento.

Local em que escreveu: Em Corinto. Paulo se hospedava na casa de Gaio na qual se reunia a comunidade cristã. Nessa carta ele coloca em forma conclusiva as grandes linhas do evangelho.

Ano em que foi escrita: A maioria dos estudiosos de Paulo data a carta aos romanos nos anos 57/58 d.C, durante a permanência de três meses na cidade de Corinto.

Motivos da carta: O principal motivo do envio desta carta à comunidade de Roma é a apresentação de seu “Evangelho”. Paulo previa um novo horizonte e futuro pra a igreja. Ele queria chegar até o extremo do Império Romano. A Espanha. Roma seria colocada como lugar base do anúncio do Evangelho, mesmo porque era a capital e centro do Império Romano. Para o pensamento paulino o Oriente já estava evangelizado, era preciso atingir o Ocidente do Império. Não estava nos planos de Paulo ir a Roma fundar Comunidade, pois esta já existia em Roma.

Fonte: http://www.abiblia.org

OBJETIVO IGNORADO.

Outro objetivo da Carta aos Romanos e que é desprezado pelos estudiosos, é o que trata da readaptação da comunidade cristã de Roma aos cristãos judeus (os cristãos gentios de Roma ficaram + ou - 6 anos sem contato com os cristãos judeus devido ao decreto de Claudio), os quais foram expulsos por Claudio e estavam retornando à capital do Império; daí as recomendações de Paulo à tolerância com os crentes judeus, os quais ele chamou de "fracos na fé" ou "enfermos na fé" (ler Romanos cap. 14 e cap. 15:1-16), pois os judeus ainda observavam a Lei de Moisés (festas, sábados, dietas, circuncisão etc.) e costumavam frequentar sinagogas aos sábados (Atos 18:2,26; Rom. 16:3) para ouvir a leitura da Lei e dos Profetas. Portanto, tendo isto em mente, fica mais claro a compreensão dos capítulos 2,3 e 4, dos capítulos 9,10 e 11, e dos capítulos 14 e 15 da Epístola de Paulo.

L. M. S.


EXPLICAÇÃO DE ROMANOS 11.

Romanos 11:12 _E se a sua queda (paraptomá - uma queda, lapso, deslizamento, falso passo, transgressão, pecado) é a riqueza do mundo (João 1:11,12), e a sua diminuição (héttéma - fracasso, falha - Israel falhou como povo de Deus, falhou em anunciá-Lo ao mundo - Êxodo 19:5,6 e Deut 32)  a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! (pléróma - preenchimento, plenitude; complemento; soma total - a ideia aqui é de quando se completar o número de judeus a serem salvos).

A expressão: "todo o Israel será salvo" (Romanos 11:26); refere-se à completude da Igreja, isto é, a entrada de povos de todas as línguas, tribos e nações - inclusive dos judeus - no Reino de Deus, pois a Igreja de Cristo é o Israel de Deus (Gálatas 6:16).

Jesus disse que Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos vivem (Lucas 20:38); sendo assim, o número dos salvos não se resume nos que ainda serão alcançados pela Graça divina, nem nos que estão vivos por agora e nem nos que estiverem vivos para a 1ª ressurreição, mas em todos os salvos desde Adão até a 2ª vinda de Cristo (Romanos 8:29; Efésios 1:5), pois para o Senhor todos os Seus filhos já são Seus (João 10:14-16; 1 Pedro 2:9). Então, de geração em geração Deus tem salvado gentios e judeus - mais gentios do que judeus (Isaías 10:22 e 54:1) - e esse número está chegando à sua totalidade, plenitude (Apocalipse 11:1); ao se completar o número de gentios salvos, também o número de judeus salvos se completará, e assim "todo o Israel será salvo", isto é, o povo de Deus estará completo.

Lucas 21:24 (Jerusalém será pisada pelos gentios...) diz respeito ao local aonde será estabelecido o Reino Mundial de Cristo no Milênio de Paz (Daniel 2:34,35,44,45 - A Pedra cortada sem o auxílio de mãos que se tornou um grande monte e encheu a Terra; Hebreus 2:8 - Todas as coisas sujeitou aos Seus pés... mas ainda não vemos todas as coisas sujeitas aos seus pés), local este que por enquanto está sob domínio das nações da Terra, os demais versos (25-27) completam esse entendimento. Porém, quem não crê num Milênio de Paz literal, então não poderá entender estes versos de Lucas.

OS FILHOS DE DEUS SERÃO MUITOS DENTRE OS GENTIOS, MAS POUCOS DENTRE OS JUDEUS.

Canta alegremente, ó estéril (OS GENTIOS NÃO TINHAM AS PROMESSAS DE ABRAÃO), que não deste à luz (O MESSIAS NÃO VEIO DOS GENTIOS); rompe em cântico, e exclama com alegria (OS GENTIOS RECEBERIAM A SALVAÇÃO), tu que não tiveste dores de parto (OS GENTIOS NÃO ESPERAVAM O NASCIMENTO DO CRISTO); porque mais são os filhos da mulher solitária (OS FILHOS DE DEUS SERÃO MUITOS DENTRE OS GENTIOS), do que os filhos da casada (MAS POUCOS DENTRE OS JUDEUS), diz o SENHOR. (Isaías 54:1)

LEIA O CONTEXTO DE GÁLATAS 4:22-28.
22. Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre.
23. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa.
24. O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar.
25. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos.
26. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.
27. Porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; Esforça-te e clama, tu que não estás de parto; Porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido.
28. Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque.
(Gálatas 4:22-28).

Mas... Então o que Paulo fala em Romanos 11?

O resumo da matéria é: Assim como Deus amou a nós (os gentios) a ponto de dar Seu próprio Filho para morrer por nossos pecados, Ele também amou os judeus e por isso oferece em Cristo a remissão dos pecados deles. Se, contudo, os judeus crerem em Cristo Jesus, eles também serão salvos, é disto que Paulo fala em Romanos 11. 

Porque a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome (o Cristo - o Messias - o Ungido); os quais não nasceram do sangue (descendência ou linhagem de Israel), nem da vontade da carne (ritos - circuncisão), nem da vontade do homem (proselitismo), mas de Deus (João 1:12,13). 

Paulo não está dizendo que num futuro próximo ou distante todos os judeus serão salvos da ira de Deus, mas diz que conforme os gentios estão entrando pela Porta Estreita da Salvação, isto é, Cristo Jesus, também os judeus estão sendo alcançados pela eleição da Graça de Deus no tempo que se chama "hoje" (Hebreus 3:13 e 4:7; 2 Coríntios 6:12), e são chamados para se converterem a Jesus Cristo e serem congregados no Seu Corpo, que é a Igreja.

“E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para torná-los a enxertar” (Romanos 11:23).

L. M. S.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

DUPLICADA HONRA.

1 Timóteo 5:17
Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de "duplicada honra", principalmente os que trabalham na Palavra e na doutrina...

A palavra traduzida do grego para a língua portuguesa por "HONRA" é "TIMÉ". Na Concordância Strong - 5092 - TIMÉ - substantivo - caso genitivo* - significa: "honra acordada a respeito de pagamento" - Isto é, o valor percebido; valor - literalmente: "preço" - como honra recebida, ou seja, aquilo que tem valor aos olhos do observador; figurativamente, o valor, o peso, a honra atribuída voluntariamente a algo.

A ideia acima é de uma avaliação de valores, como num leilão em que uma peça é apresentada aos participantes e cada um diz o preço que está disposto a pagar pelo artigo. Exemplo: Fostes comprados por "bom preço" (bem avaliado, valorizado); não vos façais servos dos homens. (1 Coríntios 7:23).

O que o a Concordância Strong sugere é o seguinte: "Quanto vale para a Igreja aqueles ministros que se dedicam ao seu pastoreio? Qual é o valor atribuído pelos crentes àqueles que lideram e ensinam a Palavra de Deus fazendo dos membros da Igreja discípulos de Cristo"? Lembremo-nos que a dedicação ao trabalho pastoral se refere ao ministro que entrega a sua vida por amor às ovelhas (João 10:11 e 21:17). Então! Não acham que alguém com esta disposição merece ser "duplamente honrado"? 

Tenhamos também em mente que os anciãos (presbíteros em grego) eram "honrados" nas antigas sociedades; os pais, quando idosos, eram honrados por seus filhos, não só respeitando-os como fizeram a vida toda, mas também lhes provendo o sustento material quando eles já não pudessem mais trabalhar (Êxodo 20:12; Mateus 15:4-6; Efésios 6:2); portanto, na Igreja não era diferente. Os anciãos eram eleitos para governo e instrução do rebanho do Senhor, e visto que estes dedicavam o seu tempo e suas energias nos negócios de Cristo (Atos 14:23; 1 Timóteo 3:1-7), nada mais justo que aquele que fosse instruído na Palavra repartisse de todos os seus bens com aquele que o instruiu (Gálatas 6:6).
L. M. S.

*Genitivo - É um caso gramatical que indica uma relação "de posse" entre um substantivo e outro substantivo. Podemos pensar esta relação do genitivo como "uma coisa pertencente a algo", isto é, que surge a partir de algo, ou deriva de algo. Essa relação na língua portuguesa é expressa pela preposição "de", Ex: o livro "de" Pedro. O "caso possessivo" é um termo semelhante, porém de uso mais restrito. 
Fonte Wikipédia

Exemplos: 
a) Fostes comprados por "bom preço" (bem avaliado, valorizado); não vos façais servos dos homens. (1 Coríntios 7:23).
b) Todos os servos que estão debaixo do jugo considerem seus senhores dignos de toda honra (valorizar), para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. (1 Timóteo 6:1)
c) E foram transportados para Siquém e depositados na sepultura que Abraão comprara por certo preço em prata (valor - avaliação) aos filhos de Emor, em Siquém (Atos 7:16; Gênesis 23:13-20). 
Fonte: http://dicionariobiblico.blogspot.com.br 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A IGREJA DE ROMA NOS SEUS PRIMÓRDIOS.

Muito pouco se tem falado ou escrito a respeito dos primórdios da Igreja de Cristo em Roma, do ponto de vista histórico. Sabemos que o apóstolo Paulo, ao escrever sua carta à Igreja que estava em Roma, sabia que ali se encontrava um grupo de crentes fiéis que apresentavam uma fé consolidada e firmemente estabelecida na Palavra de Deus.

Paulo já havia feito duas viagens missionárias e se encontrava em sua terceira, rumando de Cencreia, distrito de Corinto, cerca de sete km desta, para Bereia, regressando a Jerusalém, não sem antes propagar o Evangelho de Cristo em várias outras cidades da Europa.

Sabemos por inferência das narrativas constantes do livro de Atos, que os judeus deram muito trabalho a Paulo. Por inferência ainda, podemos entender que os judeus chegaram a Roma bem antes dos cristãos se tornarem um grupo e se reunirem como igreja. Inscrições nas catacumbas dos judeus em Roma bem como documentos a eles alusivos dão conta de que houve ali alguns conflitos em que vários judeus perderam a vida, ainda entre o segundo e o quinto séculos da era cristã.

Segundo Richardson, havia pelo menos cinco sinagogas em Roma no início do Séc. I, sendo estas de origem hebraica. Havia ainda outras sinagogas provavelmente de prosélitos e amigos dos judeus.
Cícero (cerca de 59 a.C.), em sua apologética a Flaccus, fala de uma grande comunidade judaica em Roma que se reunia em assembleias informais e anualmente enviava ouro para Jerusalém.

Com a perseguição dos cristãos na Palestina e sua consequente dispersão, alguns cristãos, de origem judaica, foram parar em Roma, sendo, a priori, bem recebidos pelos judeus em suas sinagogas. Com o passar dos anos, tanto pela pregação centrada em Cristo, o Messias, como pelo testemunho que ostentavam diante dos seus patrícios ortodoxos, acabaram por ganhar vários deles para Cristo, o Messias tão esperado por eles e que, segundo sua mensagem, havia nascido em Belém, vivido inicialmente na Galileia, saindo de lá para reunir discípulos e pregar as boas-novas da salvação tão esperada pelos judeus hassiditas (hassidim = piedosos), vindo a sofrer a morte na cruz e ressuscitando ao terceiro dia.

Dentre estes estavam Áquila e Priscilla que compreenderam a mensagem de salvação e se tornaram testemunhas e pregadores nas sinagogas da Itália até a expulsão dos judeus de Roma por Claudius, imperador romano, como nos informa Lucas (At. 18.2) e Suetonius, historiador romano. O ano provavelmente era 49, como nos infere Lucas (At. 18.11-12) e a inscrição de Gálio, procônsul da Acaia.

Esta expulsão, segundo Osório, historiador cristão do Séc. V, teve como motivo o ressentimento que tinham contra Cristo, algumas vezes querendo tirar a vida de compatriotas seus, criando, destarte, confusões que poderiam pôr em risco o império, já que muitos judeus eram cidadãos romanos e somente Roma poderia decretar sua execução.

Como Áquila e Priscilla, outros judeus convertidos saíram de Roma e foram para outras regiões. Todavia, o Evangelho cresceu devido à conversão de gentios romanos que se apossaram da graça e se tornaram testemunhas de Cristo em Roma.

O fato é que, alguns anos depois da expulsão dos judeus de Roma, Paulo escreve sua carta endereçada aos cristãos daquela cidade (57). Febe, a quem Paulo encomenda a partir da igreja em Cencreia, é que é ao que tudo indica, a portadora da missiva. Alguns irmãos nela citados converteram-se a Cristo antes de Paulo, o que indica a presença de uma igreja atuante e comunicadora da verdade e da fé em Cristo Jesus.

Não gozando do apreço dos judeus incrédulos, os gentios convertidos formaram sua própria comunidade cristã, recebendo, mais tarde, os irmãos judeus que rompiam com o legalismo judaico em prol do evangelho da graça. Afinal, foram eles que, do Pentecostes em diante, levaram o evangelho para suas famílias e clãs na Europa e Ásia. Foi pela pregação deles que os demais judeus e os gentios se converteram.

Levando-se em conta o conteúdo da Epístola de Paulo aos Romanos, pode-se notar que os cristãos já eram uma comunidade, ou quiçá, várias comunidades naquela cidade[1], alguns dos quais já haviam crido e recebido Cristo antes mesmo de Paulo[2].
Considerando ainda a listagem de nomes de irmãos em Cristo aos quais Paulo recomenda preciosas saudações, pode-se notar uma forte evidência do desenvolvimento de um corpo de cristãos em Roma antes mesmo de ter o apóstolo mantido qualquer contato com os mesmos[3].

A considerar a prioridade dada pelo apóstolo em suas saudações ao casal Áquila e Priscila, percebe-se que estes já haviam retornado a Roma, após terem sido de lá banidos por Cláudio. É, inclusive, bem provável que tenha surgido uma comunidade cristã de gentios independente das sinagogas judias antes mesmo do decreto de Cláudio em 41[4].

COMO O EVANGELHO SE ESPALHOU DE JERUSALÉM A ROMA.

Uma das teorias, por sinal convincente, é a de que dentre os visitantes estrangeiros em Jerusalém havia vários romanos, alguns de origem judaica e outros funcionários e familiares destes que residiam em Jerusalém, embora não sendo de origem judaica[5]. É bem provável ainda que muitos destes romanos visitantes, embora sendo judeus, mantinham a cidadania romana e, ao regressar a Roma convertidos, passaram a se reunir nas sinagogas e a relatar os fatos com a sobeja orientação do Santo Espírito de Deus (promessa cumprida).

Destarte, muitos judeus romanos creram na Palavra e outros, por rebeldia, passaram a persegui-los, ocasionando a ira do imperador Cláudio que acabou banindo os judeus cristãos de Roma.

Um fato interessante é a menção que Lucas faz, em Atos 6.9, de judeus da sinagoga dos libertinos[6]. Se alguns desses judeus receberam e creram no Evangelho, isso tornou possível a sua recepção nas outras regiões, inclusive em Roma[7].

CONCLUSÃO

A julgar pelo exposto, fica até certo ponto claro que judeus convertidos, que não tinham relação com a nata apostólica, levaram o Evangelho até a grande Roma, de onde se espalhou pelas sinagogas localizadas em todo o império, graças ao decreto de Cláudio que, embora banisse os judeus de Roma, não os proibia de ir para outra parte do império, o que promoveu e espalhou a boa semente nas outras regiões.
Coisas de Deus, a Quem toda a honra e toda a glória! Amém!

[1] Romanos 15.22-24.       
[2] Romanos 16.7.
[3] Romanos 16.1-16.
[4] James C. Walters, “Romans, Jews, and Christians: The Impact of the Romans on Jewish/Christian Relations in First-Century Rome,” in Judaism and Christianity in First-Century Rome (ed. Karl P. Donfried and Peter Richardson; Grand Rapids: Eerdmans, 1998), 177.
[5] Pedro emprega o verbo epidemeo (epidhmew), o que indica que eram visitantes de Roma alojados em Jerusalém para as comemorações da festa da Páscoa. O termo ainda abriga os romanos que, por força de governo autoridade imperial, residiam por muito tempo em Jerusalém.
[6] O termo é latino e se aplica aos judeus de cidadania romana que foram libertos por seus compatriotas abastados que já viviam na Itália de há muito.
[7] Schnabel, Christian Mission, 805; Bruce, “Romans Debate,” 178, Cranfield, Romans, 790.


Postado por: FugadeRoma@blogspot.com 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A DECEPÇÃO DE PAULO (Atos 21:17-26).

Paulo, ao retornar da terceira viagem missionária, no segundo dia de sua chegada em Jerusalém, reuniu-se com Tiago e os anciãos da Igreja e relatou as grandes obras que Deus fizera por meio de seu ministério entre os gentios; ao ouvirem suas palavras, deram glórias a Deus, porém, eles também tinham algo para relatar...

O apóstolo Paulo, em suas viagens evangelísticas, sofreu muitas afrontas por parte dos judeus, e isto aconteceu porque levava consigo o vinho novo de Cristo e o dava tanto a judeus como a gregos; e porque pregava a verdade da Palavra de Deus, foi perseguido, caluniado e açoitado. Quando em Corinto, após ter anunciado a Cristo na sinagoga local, alguns judeus creram, outros, porém blasfemaram; então ele os deixou e concentrou-se em evangelizar os gentios. Tempos depois, os judeus blasfemadores se levantaram contra Paulo e o conduziram ao tribunal de Gálio acusando-o de ensinar coisas contrárias à Lei de Moisés. Por isso, numa tentativa de apaziguar os ânimos judaicos contra o seu Evangelho, o apóstolo fez uma tolice: um voto de nazireu (Atos 18:18). Certa vez, Paulo escreveu assim: “Fiz-me judeu para ganhar os judeus” (1 Coríntios 9:20); mas esse ardil não funcionou como o esperado; alguns anos mais tarde, em Jerusalém, no próprio seio da Igreja, os falsos crentes o acusaram de dissolução (Atos 21:20,21). Este fato ocorreu aproximadamente dez anos após o Concílio de Jerusalém o qual fora instaurado por causa de fariseus que abraçaram a fé em Cristo, mas que não se despojaram da “carcaça mosaica”, e queriam fazer com que gentios convertidos à fé guardassem também a lei de Moisés, porém a decisão do Concílio favoreceu a verdade. Contudo, os anos se passaram e os judaizantes tornaram-se maioria na Eclésia fazendo-a regredir, pois os rumos a partir do Concílio não avançaram. Esperava-se algo melhor daquela Igreja que viu e chorou a morte de Estevão pelas mãos dos “zeladores da Lei” (Atos 6:11-14, e 7:51-60, e 8:1,2), esperava-se que os crentes de Jerusalém tivessem deixado dos rudimentos do mundo e evoluídos para a fé perfeita em Cristo Jesus, mas não foi isto que aconteceu (Hebreus 5:11-14 e 6:1,2).

Tiago contou ao apóstolo que muitos judeus que aceitaram Jesus continuavam “zelosos da Lei de Moisés”. Estes crentes judaizantes tinham informações de que Paulo ensinava aos compatriotas em outras nações a se apostatarem de Moisés... Que decepção! O ponto de partida do Evangelho voltara à Lei; os que receberam o vinho novo diretamente de Cristo, guardaram-no em odres velhos. Foi por causa desse “zelo sem entendimento” (Romanos 10:2) que Estevão foi morto, e nem assim a Igreja de Jerusalém se deu conta do mal que permitiu adentrar suas portas.

Como o cão torna ao seu vômito, assim o tolo repete a sua estultícia. (Provérbios 26:11).

Esse negócio de manter as aparências foi extremamente condenado por Cristo, e Ele mesmo disse aos fariseus hipócritas: Raça de víboras! Como vós sendo maus podeis dizer coisas boas?... (Mateus 12:34). Talvez mais tarde Tiago tenha compreendido que não se pode colher uvas de espinheiros, nem figos do abrolhos (Lucas 6:44), já que ele mesmo escreveu coisa parecida em sua epístola, só que de forma mais branda (Tiago 3:11,12).

Ouvi a palavra do Senhor, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra. De que Me serve a Mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor. Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem Me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante Mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os Meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para Mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade com ajuntamento solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a Minha alma as odeia; já Me são pesadas; já estou cansado de sofrê-las. (Isaías 1:10-14).

É isso aí, “crentões”, mantenham as aparências para que o “Templo de Herodes” continue de pé e mais e mais fariseus sejam congregados à Igreja, “encham a medida dos vossos pais”, para os quais a Escritura só consistia em mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui e um pouco ali (Isaías 28:13); voltem à purificação na carne e não no Espírito, circuncidem os vossos prepúcios e não os vossos corações, e sejam presos, e torne-se-lhes a “mesa” em laço e caiam para traz... (Salmos 69:22).

... Falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram para espreitar a liberdade que temos em Cristo Jesus, e nos pôr em servidão (Gálatas 2:4).

Para apaziguar o Evangelho com o judaísmo, Tiago e os demais coagiram Paulo a praticar o rito mosaico do nazireado e juntar-se a outros quatro judeus que de antemão se prepararam para esse fim. Cegos conduzindo outros cegos! E olha que isto aconteceu na Igreja que anos atrás recebera a virtude do alto, o Espírito Santo de Deus para dar testemunho da verdade. Esses mesmos judeus que estavam passando fome, e que pelas mãos de Paulo e de outros recebiam ajuda financeira dos gentios, o abandonaram na sua fé só porque desejavam ficar de bem com os costumes e as tradições.

Isaías 28:9,11,12,14-18 – A quem, pois, se ensinaria o conhecimento? E a quem se daria a entender doutrina? Ao desmamado do leite, e ao arrancado dos seios?... Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo. Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir... Ouvi, pois, a palavra do Senhor, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém. Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte, e com o inferno fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos. Portanto assim diz o Senhor DEUS: EIS QUE EU ASSENTEI EM SIÃO UMA PEDRA, UMA PEDRA JÁ PROVADA, PEDRA PRECIOSA DE ESQUINA, QUE ESTÁ BEM FIRME E FUNDADA; AQUELE QUE CRER NÃO SE APRESSE. E regrarei o juízo pela linha, e a justiça pelo prumo, e a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e as águas cobrirão o esconderijo. E a vossa aliança com a morte se anulará; e o vosso acordo com o inferno não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, então sereis por ele pisados.

A Epístola Aos Hebreus foi escrita por volta do ano 67 d. C.; esta Epístola foi o alerta, foi o ultimato de Deus à Igreja da Judeia, que passo a passo se desviara da Nova Aliança em Cristo para voltar às obsoletas práticas da Lei mosaica (Hebreus 2:1-4. _Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?)Jerusalém foi sitiada e demolida pelas forças romanas do General Tito, segundo a profecia descrita Mateus 24, não porque os judeus rejeitaram e mataram ao Senhor Jesus Cristo no ano 33 da Era Cristã, mas porque a Igreja de Jerusalém se apostatou Dele (2 Samuel 7:13,14; leia também Mateus 24:15 _A abominação [bdelugma - fedor repugnante] da desolação [eremósis - infértil] no lugar santo [hagios - local reservado para Deus]; e compare com Isaías 1:13 _O incenso é para Mim abominação...). Jesus disse que quando os discípulos vissem que a ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO estivesse no LUGAR SANTO - o evangelista acrescenta: "Quem lê, entenda" - os que estivessem na Judeia fugissem para os montes apressadamente e sem olhar para trás (Mateus 24:15-20), do mesmo modo que Ló fugiu de Sodoma (releia Isaías 1 o capítulo todo). Os discípulos que creram nas palavras de Jesus entenderam que a "abominação desoladora no lugar santo" a qual Ele se referiu, aconteceu quando os crentes da Judeia, e principalmente os da Igreja em Jerusalém, começaram a sacrificar no Templo, pois os membros se fizeram infiéis como as prostitutas, e os anciãos da Igreja, amigos de ladrões (Isaías 1:21,23 compare com Atos 6:7): "Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que creem, e todos são zeladores da Lei" (Atos 21:20b)...

O FIM DA "FESTA" E A "ORDEM NA CASA".

"E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos eleitos serão abreviados aqueles dias" (Mateus 24:22).

A destruição de Jerusalém no ano 70 d. C. foi a providência divina para trazer de volta à razão da fé àqueles que estavam se desviando da verdade que há em Cristo Jesus, pois esses crentes que se acomodaram em Jerusalém do mesmo modo que Ló se acomodara em Sodoma, tiveram suas casas destruídas, seus bens saqueados, perderam amigos e familiares e a sua “aliança com a morte foi desfeita”.

Se porventura houver cinquenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela?... Então disse o Senhor: Se Eu, em Sodoma, achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles. (Gênesis 18:24,26).

L. M. S.