MANANCIAL

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"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

quarta-feira, 27 de maio de 2026

QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS 4 TIPOS DE GAFANHOTOS DESCRITOS EM JOEL 1:4, COM OS 4 ANIMAIS DA VISÃO DE DANIEL 7:3?

QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS 4 TIPOS DE GAFANHOTOS DESCRITOS EM JOEL 1:4, COM OS 4 ANIMAIS DA VISÃO DE DANIEL 7:3?

Jl 1:4: "O que deixou o gafanhoto cortador¹, comeu-o o gafanhoto migrador²; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador³; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor⁴."

Dn 7:3: "Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar."

INTERPRETAÇÃO.

Há debates entre acadêmicos, se a praga de gafanhotos de Joel 1 é real ou ela se diz respeito aos reinos subsequentes que se levantariam após Babilônia. Mas seguindo as regras de interpretação, ao passo que Joel descreve cada um dos gafanhotos, logo após ele detalha os acontecimentos relativos à invasão ordenada pelo Império Babilônico e a consequente destruição de Jerusalém.

Jl 1:6-20: "Porque veio um povo contra a minha terra, poderoso e inumerável; os seus dentes são dentes de leão, e ele tem os queixais de uma leoa. Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra; os seus sarmentos se fizeram brancos. Lamenta com a virgem que, pelo marido da sua mocidade, está cingida de pano de saco. Cortada está da Casa do SENHOR a oferta de manjares e a libação; os sacerdotes, ministros do SENHOR, estão enlutados. O campo está assolado, e a terra, de luto, porque o cereal está destruído, a vide se secou, as olivas se murcharam. Envergonhai-vos, lavradores, uivai, vinhateiros, sobre o trigo e sobre a cevada, porque pereceu a messe do campo. A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens. Cingi-vos de pano de saco e lamentai, sacerdotes; uivai, ministros do altar; vinde, ministros de meu Deus; passai a noite vestidos de panos de saco; porque da casa de vosso Deus foi cortada a oferta de manjares e a libação. Promulgai um santo jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, todos os moradores desta terra, para a Casa do SENHOR, vosso Deus, e clamai ao SENHOR. Ah! Que dia! Porque o Dia do SENHOR está perto e vem como assolação do Todo-Poderoso. Acaso, não está destruído o mantimento diante dos vossos olhos? E, da casa do nosso Deus, a alegria e o regozijo? A semente mirrou debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns, derribados, porque se perdeu o cereal. Como geme o gado! As manadas de bois estão sobremodo inquietas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo. A ti, ó SENHOR, clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou todas as árvores do campo. Também todos os animais do campo bramam suspirantes por ti; porque os rios se secaram, e o fogo devorou os pastos do deserto."

Os versos acima dão os detalhes da invasão babilônica à terra de Judá e o resultado dessa campanha militar; portanto o próprio profeta dá o tom para que possamos interpretar que os gafanhotos do verso 4 não são uma praga real, mas: "Porque VEIO UM POVO CONTRA A MINHA TERRA, PODEROSO E INUMERÁVEL; OS SEUS DENTES SÃO DENTES DE LEÃO, e ele tem os queixais de uma leoa" [Jl 1:6]. Repare que Babilônia aqui é o povo poderoso e inumerável, como um bando de gafanhotos, o qual veio contra a terra do povo de Deus, e que tem dentes como de leão; ora! Vejam o que Daniel 7 revela sobre o Império Babilônico:
"O PRIMEIRO ERA COMO LEÃO e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem" [Dn 7:4:].

Então, Babilônia é o primeiro gafanhoto, o "gafanhoto cortador", pois seus dentes de leão cortaram, à princípio, a casa de Judá, quando em 605 a.C. o rei Jeoaquim foi levado juntamente com os nobres por Nabucodonosor (foi nesse tempo que o jovem Daniel e seus amigos também foram transferidos para o cativeiro), e depois, em 597 a.C., onze anos antes da destruição de Jerusalém (em 586 a.C.), levaram o rei Jeconias em cativeiro com cerca de 10 mil entre oficiais e artífices.
2Rs 24:12-14: "Então, subiu Joaquim, rei de Judá, a encontrar-se com o rei da Babilônia, ele, sua mãe, seus servos, seus príncipes e seus oficiais; e o rei da Babilônia, no oitavo ano do seu reinado, o levou cativo. Levou dali todos os tesouros da Casa do SENHOR e os tesouros da casa do rei; e, segundo tinha dito o SENHOR, cortou em pedaços todos os utensílios de ouro que fizera Salomão, rei de Israel, para o templo do SENHOR. Transportou a toda a Jerusalém, todos os príncipes, todos os homens valentes, todos os artífices e ferreiros, ao todo dez mil; ninguém ficou, senão o povo pobre da terra."

Ou seja, os "dentes de leão" de Babilônia cortaram como se mastigasse o reino de Judá até a deglutição total da terra.

O TEMPO DO PROFETA JOEL.

No meio acadêmico também se debate sobre qual foi o período do ministério profético de Joel, alguns acreditam que foi antes do cativeiro, mas muitos creem que foi após ele; porque o próprio texto de Joel dá esse respaldo, isto é, Joel não registrou nenhuma menção sobre algum rei, mas pelo contrário, ele cita a liderança dos anciãos e dos sacerdotes no comando da nação:

Jl 2:15-17: "Tocai a trombeta em Sião, promulgai um santo jejum, proclamai uma assembléia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, reuni os filhinhos e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva, do seu aposento. Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?"
Viram? Nenhuma menção a um rei para convocar o povo ao arrependimento, como ocorreu com Josafá ou Ezequias ou Josias (os reis que promulgaram jejuns, restauraram o culto e prurificaram a terra da idolatria), mas ao invés disso vemos a mensagem do profeta Joel dirigida ao povo, aos anciãos e aos sacerdotes, à semelhança de Malaquias, Ageu e Zacarias, os quais foram os profetas levantados por Deus pós exílio babilônico; então, além de Joel 1 descrever a destruição provocada em Judá por Nabucodonosor, o que por si só já é decisivo para entender que sua profecia aconteceu após o cativeiro, também temos mais esse excelente argumento para embasar que Joel foi um profeta pós cativeiro e talvez no exílio babilônico.

Na minha Bíblia de estudo há uma análise do livro de Joel, a qual diz que, a respeito ao seu ministério, deve ter ocorrido por volta de 400 anos antes de Cristo, isto o coloca quase como contemporâneo de Malaquias (século V), que é o último livro do Velho Testamento. Portanto, é preciso dizer que, do mesmo modo como Malaquias registrou a corrupção dos judeus que voltaram do exílio e que proclamou a eles vinda do Senhor, Joel também o fez; vejam:

Jl 2:31-32: "O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar."

COMPARE:

Ml 3:1: "Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos."

Ml 4:1-2,5-6: "Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria. … Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição."

OS 4 GAFANHOTOS DE JOEL CAP 1:4.
Para aprofundar essa interpretação simbólica, é necessário olhar para os termos em hebraico usados em Joel 1:4, pois cada um descreve um comportamento específico do inseto que os teólogos associam ao "estilo" de conquista de cada império. E aqui está a correlação detalhada entre os gafanhotos e os impérios:

1. O Gafanhoto Cortador (Gazam) – Império Babilônico
O termo Gazam vem de uma raiz que significa "cortar" ou "tosquiar".
• A Conquista: Representa o início da devastação. Assim como o cortador remove as folhas externas, o Império Babilônico (sob Nabucodonosor) "podou" a nação de Judá, levando as elites para o exílio e destruindo o Templo (Jl 1:7: "Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra; os seus sarmentos se fizeram brancos").

• Característica: Uma destruição focada em paralisar a estrutura política e religiosa.

2. O Gafanhoto Migrador (Arbeh) – Império Medo-Persa
Arbeh é o termo mais comum para gafanhoto e significa "ser muitos". É o gafanhoto que se move em enxames massivos.
• A Conquista: O Império Persa não se destacava apenas pela força bruta, mas pela sua imensidão e organização.
• A Conexão com os Correios: Aqui entra a observação do "migrador". A eficiência administrativa (o sistema Angarium de correios) permitia que o império funcionasse como um enxame coordenado. Eles estavam em todos os lugares ao mesmo tempo; uma ordem do rei chegava às satrapias com uma velocidade inédita, permitindo que o império "migrasse" sua influência por todo o Oriente Médio de forma onipresente. (Et 8:14: "Os correios, montados em ginetes que se usavam no serviço do rei, saíram incontinenti, impelidos pela ordem do rei; e o edito foi publicado na cidadela de Susã" - ver também Et.3:14,15).

3. O Gafanhoto Devorador (Yeleq) – Império Grego (Macedônio)
Yeleq descreve o gafanhoto na fase em que ele lambe ou lambuza a vegetação, devorando o que restou até o caule.
• A Conquista: Alexandre, o Grande, conquistou o mundo com uma velocidade furiosa.
• Característica: Diferente dos persas, que mantinham as culturas locais sob tributo, a influência grega (Helenismo) "devorou" as identidades culturais. A língua e os costumes gregos espalharam-se como uma praga que consumiu a base cultural das regiões conquistadas. (Ver: Dn.8:8-12).

4. O Gafanhoto Destruidor (Chasil) – Império Romano
Chasil significa "consumir totalmente" ou "exterminar". É o estágio final da praga.
• A Conquista: Roma foi o império que aplicou a Pax Romana através da aniquilação de qualquer resistência.
• Característica: Em 70 d.C., Roma destruiu Jerusalém de forma tão completa que "não ficou pedra sobre pedra". O gafanhoto destruidor não deixa nada para trás; ele encerra o ciclo de devastação da terra, simbolizando o fim da soberania política de Judá por séculos.

Tabela Comparativa de Interpretação:
1. Gafanhoto cortador (hebr. Gazam - cortador) - o Império Babilônico cortou a liderança de Judá e levou ao exílio.
2. Gafanhoto migrador (hebr. Arbeh - multiplicador) - o Império Medo-Persa foi um enxame organizado e vasto, empregou com eficiência os correios e uma eficiente administração por meio de satrapias (sub-governos).
3. Gafanhoto devorador (hebr. Yeleq - lambedor) -  o Império Grego se expandiu com grande velocidade e "devorou" as culturas dos povos para impor a sua cultura helenista.
4. Gafanhoto destruidor (hebr. Chasil - devorador final - destruição) - o Império Romano destruiu seus rivais e os pisou aos pés (Dn.7:7), pois para manter a sua Pax Romana, Roma despendeu todos esforços necessários em campanhas militares.

RESUMO DA QUESTÃO.
Então, Joel não registrou nenhuma praga de gafanhotos realmente, mas a perpetuação de reinos que agem como gafanhotos na terra, ou seja, instituições humanas que, pela cobiça de homens inescrupulosos, vendem até a alma dos outros como mercadoria de consumo. Portanto, irmãos, o reino de Cristo não é deste mundo, pois no reino dos homens a justiça não importa senão a cobiça humana.

Lc 22:24-27: "Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior. Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve."

Ev. Levi.

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