MANANCIAL

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"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A OFERTA DA VIÚVA POBRE.

 A OFERTA DA VIÚVA POBRE. 

Lc 20:45-47; 21:1-4: "Ouvindo-o todo o povo, recomendou Jesus a seus discípulos: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e muito apreciam as saudações nas praças, as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes; os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo. Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento."

Muitas pregações sobre a oferta da viúva pobre apontam para um ato de fé daquela mulher elogiado por Jesus, mas se contextualizarmos esse episódio do Evangelho de Lucas, com o que a Escritura ensina sobre o cuidado com as viúvas e os pobres, então entenderemos que Cristo não está fazendo um elogio à fé daquela mulher, mas uma crítica à religiosidade daquela época e também à desassistência do Templo às pessoas pobres.

Na Lei de Moisés está escrito: 

NOS DÍZIMOS - Dt 14:28-29: "Ao fim de cada três anos, tirarás todos os dízimos do fruto do terceiro ano e os recolherás na tua cidade. Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem".

Dt 26:12-13: "Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem. Dirás perante o SENHOR, teu Deus: Tirei de minha casa o que é consagrado e dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão, e à viúva, segundo todos os teus mandamentos que me tens ordenado; nada transgredi dos teus mandamentos, nem deles me esqueci."

NO PENTECOSTES - Dt 16:10-11: "E celebrarás a Festa das Semanas ao SENHOR, teu Deus, com ofertas voluntárias da tua mão, segundo o SENHOR, teu Deus, te houver abençoado. Alegrar-te-ás perante o SENHOR, teu Deus, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro da tua cidade, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão no meio de ti, no lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o seu nome".

NA FESTA DOS TABERNÁCULOS - Dt 16:13-14: "A Festa dos Tabernáculos, celebrá-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades."

NOS FRUTOS DA TERRA - Dt 24:19-21: "Quando, no teu campo, segares a messe e, nele, esqueceres um feixe de espigas, não voltarás a tomá-lo; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será; para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em toda obra das tuas mãos. Quando sacudires a tua oliveira, não voltarás a colher o fruto dos ramos; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será. Quando vindimares a tua vinha, não tornarás a rebuscá-la; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será o restante."

É ORDENANÇA DE DEUS - Dt 24:17: "Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva."

A DESASSISTÊNCIA ÀS VIÚVAS É JUÍZO DE MALDIÇÃO - Dt 27:19: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém!"

CONTEXTUALIZAÇÃO - Por todos esses versos que a Lei de Moisés nos expõe, jamais uma viúva pobre deveria trazer, em hipótese alguma, ofertas ao Templo de Jerusalém, mas sim participar daquelas destinadas à manutenção da religião mosaica, ou seja, a religião desprezava as viúvas e os necessitados, mas os ricos, que tinham de sobra, preferiam lançar suas moedas no gazofilácio do Templo do que repartir, do que lhes sobrava, com as viúvas pobres de Israel. Jesus não fez um elogio, mas uma crítica, pois ela realmente lançou mais do que todos porque, desassistida por aqueles que se assentavam na cadeira de Moisés (Mt.23:2) e pelo Templo de Jerusalém, ela lançou ali todo seu sustento...

Todos os pregadores atuais louvam o ato daquela viúva como se fosse uma prova da sua fé que foi reconhecido pelo Senhor Jesus como tal, porém se nós nos aprofundarmos mais um pouco, veremos que ela lançou "duas pequenas moedas" (Lc 21:1-2: "Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali DUAS PEQUENAS MOEDAS"); sabem do que se trata essas duas pequenas moedas? Vamos descobrir juntos?

Mt 17:24: "Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas?"

A dracma, na Bíblia, era uma moeda grega de prata, equivalente ao denário romano e ao salário de um dia de trabalho de um trabalhador braçal na época de Jesus. O imposto das "duas dracmas", citado em Mateus 17:24-27, era uma contribuição anual obrigatória de meio siclo de prata (equivalente a duas dracmas ou um estater) exigida de todo judeu com mais de 20 anos para a manutenção do Templo de Jerusalém que, baseado em Êxodo 30, cujo valor financiava o serviço religioso no segundo Templo que foi reformado por Herodes. Interessante, não é? Pois por estas informações podemos chegar à conclusão de que, aquela viúva estava sendo coagida pela religião vigente à pagar o imposto das duas dracmas e assim tirar do seu sustento para contribuir com a manutenção do Templo de Jerusalém. Ora! Qualquer semelhança com a religiosidade atual, não é mera coincidência! 

Os escribas e fariseus de hoje são os líderes que à símile da religião judaica, também atuam para explorar as casas das viúvas e dos pobres sob o pretexto de "longas orações". Mas: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva..." [Dt 27:19].

A igreja primitiva, ao dar sustento às viúvas e aos demais necessitados de Jerusalém, se interpôs e cobriu essa lacuna, essa brecha deixada pela religião do Templo, pois eles sabiam que o juízo de maldição pairava contra aquela cidade por negligênciar seus pobres; a negligência para com os necessitados de Jerusalém é evidente também em Atos 3, vejam: [At.3:1,2] "Pedro e João subiam ao templo para a oração da hora nona. Era levado um homem, coxo de nascença, o qual punham diariamente à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam"; ou seja, aquele coxo ali com certeza não tinha dinheiro e ninguém para sustentá-lo, mas ficava à porta "Formosa" do Templo pedindo esmolas, tal qual o mendigo Lázaro à porta do rico que, desejando comer das migalhas que caíam da sua mesa, ninguém lhe dava nada e os cães vinham lamber-lhe as feridas... [Lc.16:19-21]. Seus olhos estão abertos agora?!

Há uma repreensão severa à igreja de Éfeso - e principalmente ao mensageiro dela - pela a ausência da prática do "primeiro amor", isto é, da doutrina dos apóstolos e profetas ([At 2:42,44,45] "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. … Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade."). A repreensão é: [Ap.2:4,5] "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, VENHO A TI E MOVEREI DO SEU LUGAR O TEU CANDEEIRO, caso não te arrependas." Bem, se olharmos para Apocalipse 1:20, saberemos o que é o candeeiro: "Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e OS SETE CANDEEIROS SÃO AS SETE IGREJAS". Então, quando a liderança de uma igreja não presta assistência aos necessitados dela, deixa de perseverar na doutrina apostólica e, consequentemente, na prática do primeiro amor; então Jesus vem até essa liderança perversa, e Cristo tira a sua igreja daquele lugar e a transfere dali para outro, pois: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda" [Jo.15:1,2].

Ev. Levi. 

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