MANANCIAL

MANANCIAL
"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Felicidade

Temos uma ideia equivocada do que significa felicidade. Alguns a confundem com momentos de alegria, pois acham que se estão contentes com alguma coisa estão felizes, mas, a verdadeira felicidade não é momentânea e sim permanente. Trata-se de um bem estar composto de três coisas interdependentes: tranqüilidade, segurança e paz.
Pessoas felizes choram e sofrem, mas não odeiam, antes mantêm seus corações limpos, são pacificadores e misericordiosos, tudo isso por esperarem algo muito maior que recompensas terrenas.

Casamento, filhos, realização profissional, amizades, bens, prestígio, enfim, uma porção de coisas que julgamos indispensáveis para a felicidade pessoal, se não houver a orientação de uma mente tranquila, segura e pacífica, moldada pela moderação do Espírito Santo de Deus, será como um náufrago numa ilha deserta que encontrou um tesouro, ou seja, não poderá desfrutar dele.
L. M. S.

"Fogo Estranho e a Nova Aliança".

Nadabe ("liberal" ou "Deus se Mostra Bondoso") 
Abiú ("Ele, Deus, é Pai") 

A Bíblia em Levítico 10:3 relata como Nadabe a Abiú receberam o castigo divino pelo pecado que cometeram. Mas qual fora o pecado deles? Em Levítico 10:1 diz que eles ofereceram "fogo estranho" perante a face do Senhor. O que seria o "fogo estranho"? No mesmo capítulo diz que eles acenderam seu incensário não com fogo do altar, mas com fogo tirado de outro lugar, e por não ter tirado do altar, esse fogo é chamado "fogo estranho". 
Vemos no capítulo 9 de Levítico que o próprio Senhor acendera o fogo do altar: verso 6. E disse Moisés: Esta é a coisa que o Senhor ordenou que fizésseis; e a "glória do Senhor" vos aparecerá.
verso 23. Então entraram Moisés e Arão na tenda da congregação; depois saíram, e abençoaram ao povo; e a "glória do Senhor" apareceu a todo o povo.
verso 24. Porque o "fogo" saiu de diante do Senhor, e consumiu o holocausto e a gordura, sobre o altar; o que vendo todo o povo jubilou e caiu sobre as suas faces.
Cabia de agora em diante aos sacerdotes manter aquela chama acesa, pois todas as ofertas, sacrifícios e incensos dependeriam exclusivamente da chama do altar do Senhor. Eis aqui uma figura do Espírito Santo de Deus, pois é somente pelo Espírito Santo que nossas orações, louvores e testemunho chegam ao Senhor como cheiro suave, somente através do Espírito de Deus podemos viver uma vida de santidade e de santificação.

O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará. Levítico 6:13

E os filhos de Arão, o sacerdote, porão fogo sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo. Levítico 1:7

O fogo que está sobre o altar arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas. Levítico 6:12 

Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram "fogo estranho" perante o Senhor. Números 26:61

E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e "ofereceram fogo estranho" perante o SENHOR, o que não lhes ordenara. Levítico 10:1

Após a saída do Egito, Moisés e todo Israel chegaram ao Monte Sinai. Deus falou da montanha ao povo todo, e deu os dez mandamentos, e os gravou em tábuas de pedra (Deuteronômio 5:1-22). No Sinai Moisés recebeu toda a Lei para Israel na qual Deus provera um sacerdócio para Si:

“Faze também vir para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar” (Êxodo 28:1).

Na aliança de Deus com os israelitas, Arão e seus descendentes seriam sacerdotes do Senhor enquanto durasse aquela aliança (Êxodo 29:9). O trabalho do sacerdote incluía oferecer sacrifícios, manutenção das lâmpadas, os pães da proposição, o incenso no santuário e ensinar a lei de Yahweh ao resto do povo.

Enquanto o povo ainda estava no Sinai, no Tabernáculo, Arão e seus filhos foram consagrados como sacerdotes e logo após que eles começaram a servir e ministrar o sacerdócio aconteceu uma desgraça para a casa de Arão:

“Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do SENHOR, e os consumiu; e morreram perante o SENHOR” (Levítico 10:1-2).

Aqui estavam dois dos homens a quem Deus havia consagrado para servi-lo como sacerdotes, desempenhando suas funções e Ele matou-os com fogo divino. Qual foi o erro? Ofereceram algo que Deus não lhes tinha mandado oferecer. Eles eram sacerdotes, da linhagem sacerdotal de Arão, separados por Deus para este ministério, seus incensários eram consagrados, o incenso era consagrado, mas substituíram o "Fogo de Deus" (Espírito) por qualquer um, misturaram o sacro com o profano e trouxeram perante o Senhor uma adoração falsa. 

“E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou” (Levítico 10:3).

Nadabe e Abiú desconsideraram a santidade de Yahweh, pois na sua adoração presunçosa não glorificam-No e não mostraram a santidade do Senhor neles. Tem gente que diz que estas coisas eram para o Velho Testamento, para a Lei de Moisés, pois agora que estamos na “era da graça”, contudo quem pensa assim está longe da verdade das Escrituras Sagradas.

A epístola aos Hebreus faz comparação entre a Velha Aliança (Lei de Moisés) com a Nova Aliança (Jesus Cristo). O capítulo 1 de Hebreus compara o Filho de Deus que é o mensageiro do Novo Testamento, com anjos que eram os mensageiros do Velho Testamento. É demonstrado que Cristo é muito maior do que os anjos, pois diz: "e todos os anjos O adorem" (Hebreus 1:6).

“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios, vários milagres e por Dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a Sua vontade” (Hebreus 2:1-4).

A grandeza do Mensageiro é um indicador da importância da mensagem. 

“Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que se recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte, aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: ‘Ainda uma vez por todas farei abalar não só a terra, mas também o céu” (Hebreus 12:25-26).

Nadabe e Abiú pensaram que o fogo do altar era igual a qualquer outro, afinal de contas todo fogo queima, não importando de onde ele seja tirado, mas se enganaram , não era competência deles decidir qual fogo deveria ser usado. Deveriam prestar culto exatamente da forma que o Senhor tinha dito. Mais uma vez, a própria superioridade da Aliança deverá dizer-nos quão importante é ser obediente às Suas estipulações:

“Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso DEUS É FOGO CONSUMIDOR” (Hebreus 12:28-29).

Não se pode permitir que o homem introduza suas idéias ou modifique o culto a Deus. Todos os esforços do homem resultam numa apresentação de fogo estranho ao Senhor, ou seja um culto carnal. As melhores tentativas não passam de invenções humanas e abominação aos olhos de Deus. O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Seu Espírito Santo, por isso que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações dos homens, ou por sugestões de seu enganoso coração, pois o Senhor procura Seus verdadeiros adoradores que O adorem em Espírito e em verdade (João 4:24). A Bíblia diz em 2 Cor. 3:17, “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”, liberdade para entrarmos no Santo dos Santos pelo do sangue de Cristo, numa santa e verdadeira adoração em espírito no Espírito do Senhor, estes parâmetros orientam a adoração cristã. Somos livres, no Espírito, para fazer a vontade de Deus, nunca para o contrario, pois rebeldia nunca procede do Espírito Santo. O Senhor ainda é tão Santo como no tempo de Nadabe e Abiú, sendo obrigação daqueles que o adorarão tratá-lo reverência e santo temor.

"Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. Isaías 42:8
"E a minha glória não a darei a outrem. Isaías 48:11

FONTES: O QUE ESTÁ ESCRITO (JIM ROBSON), 
BLOG O TEMPO DE DEUS (CARLOS HENRIQUE)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

EGO POIÊSSO - EU CRIAREI (JOÃO 14:14)

01. Esse versículo faz parte das instruções que Jesus passa aos seus discípulos, aos seus seguidores, instruindo-os sobre vários assuntos como o Consolador, o Espírito Santo, o Seu substituto legal aqui na terra. Jesus, também, de modo especial, dá pronta ênfase a pedidos feitos em seu nome, reafirmando, no verso 14, – “Se algo pedirdes a mim em meu nome, EU O FAREI”.

02. A declaração “EU FAREI”, no original grego, é ἐγὼ ποιήσω/ ego poiêsso, também no futuro do verbo ποιέω/’poiéo, que tem vários sentidos, entre os quais, fazer, fabricar, criar, produzir, trabalhar, atuar, efetuar, executar e outros significados. Balz e Schneider dizem que o verbo ποιέω/’poiéo “designa a atuação criadora, a atuação histórica e escatológica futura de Deus” (Dic. Exegético, N.T, λ- ω).

03. A declaração dos lábios de Jesus chama, ainda, mais a atenção haja vista que no Livro de Gênesis, o Livro da Criação, há, no seu primeiro versículo, a já conhecida declaração hebraica: בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים – ‘Bereshit BARÁ Elohim’: No princípio, criou Deus.

04. Curiosa e acertadamente, a Septuaginta (LXX), a Bíblia traduzida por 70 sábios judeus, conhecedores do Hebraico e do Grego, deu origem à Bíblia em um só volume em grego, no momento de traduzir o verbo “BARÁ”, que significa criar do nada, um verbo especial e único para Deus, a Septuaginta fez pronto uso do verbo “ποιέω/poiéo”, como que indicando, claramente, que o mesmo é, também, único e especial para ficar no lugar de בָּרָא – Bará, verbo criar, usado exclusivamente por Deus!

05. A Septuaginta Grega, assim inicia Gênesis 1:1 - Ἐν ἀρχῃ̂ ἐποίησεν ὁ θεὸς ( En arkê epoiessen hó Theós ) – No princípio, criou Deus. Assim é que o verbo ποιέω/’poiéo, em Gênesis 1:1, indicando para nós o passado, “criou”, no grego (o tempo) é ἐποίησεν/epoiessen (aor. ind. at  .3ª. sig), demonstrando uma ação perfeita de criar por parte de Deus.

06. Entendido o sentido de בָּרָא – Bará, no hebraico, que corresponde ao verbo grego ποιέω/’poiéo, no texto de João 14:14, assim podemos traduzir o final do versículo: “Se pedirdes algo em meu nome, “EU CRIAREI”! (ἐάν τι αἰτήσητέ με ἐν τῷ ὀνόματί μου ἐγὼ ποιήσω – “Ean ti aitesseté me en to onomati mu ego poiêsso”).

07. Pode-se dizer: ‘O Deus que cria uma situação só para nos abençoar, para nos alcançar, para nos socorrer’, pois Ele é pai, Ele é o Deus da criação e não há alguma coisa difícil para Ele: Isaías 43:13; Gênesis 18:14; Jeremias 33:3; Efésios 3:20.

08. Atos, que é o Livro do Espírito Santo, enfatiza o poder criativo ilimitado de Deus, fazendo uso do verbo ποιέω/’poiéo: “Senhor, Tu és o que ‘criaste’ (ποιήσας/poiessas) o céu, e a terra, e o mar, e tudo o que neles há” (Atos 4:24). Cf. 14:14; 7:50; 17:24.

09. Sei isso na prática, pois já recebi respostas, assim como muitas pessoas, por meio de oração diante de uma situação inusitada, criada pelo próprio Deus. Com José, no Egito, não foi diferente; a criação daquele alto posto, de um “Super Ministro” só para abençoar a José; ou, também, pode-se dizer que foi criado o cargo de “um Vice-Rei” poderoso, exclusivamente para abençoar José. Tem-se, ainda, o desafio prático de Provérbios 21:1, quando diz: “o coração do rei está nas mãos do Senhor, e a tudo quando quer o inclina”. 

10. Finalmente, entre as muitas promessas da Palavra de Deus, não podemos nos esquecer daquela indicada por Isaías 45:2-3 que diz: “Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de bronze e despedaçarei as trancas de ferro; dar-te-ei os tesouros escondidos e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o SENHOR, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome”.


Dr. Agnaldo L. Sacramento

quinta-feira, 30 de abril de 2015

A FESTA DA LUA NOVA EM ISRAEL (ROSH CODESH)

O significado

Quantas vezes ao lermos a Bíblia não tropeçamos em expressões ou termos que não compreendemos? E quantas vezes optamos por prosseguir a leitura, sem saciar a dúvida? Por exemplo, se tivermos conhecimentos para ler “Rosh Codesh” no texto hebraico, ou então se ouvirmos um judeu referir-se a “Rosh Codesh”, compreendemos ao que é que ele está a referir-se?… E se, no contexto bíblico, (e agora já em português) nos depararmos com a expressão “Lua Nova”,… sabemos do que se trata? É que, na Bíblia, “Lua Nova” está longe de se referir apenas e somente a uma fase da Lua. Na verdade, não sendo um enigma bíblico, também não tem um sentido totalmente transparente e óbvio, a menos que façamos uma pequena viagem pelo mundo bíblico.

Na verdade, “Rosh Codesh” e “Lua Nova” estão relacionados. Literalmente, Rosh Codesh significa “cabeça do mês”, já que a palavra “Rosh” tem a conotação de “primeiro”, ou “cabeça”. O Rosh Codesh (que aparece no texto bíblico) ou “cabeça do mês” (literalmente) será, então, nem mais nem menos que o início do mês, o primeiro dia de cada mês.

“O dia é permitido!”

Obviamente que naquela época o conceito de medição do tempo já era minimamente conhecido. Mas não era um bem onipresente e sofisticado como é hoje. A informação relativa ao tempo ou aos tempos, não entrava pelas casas de Israel com os cumprimentos da NASA, nem por acesso com fibra óptica à Internet. Mudar de mês significava tudo menos virar a folha de um calendário, ou comprar a revista preferida. Para se determinar o momento em que a lua se encontrava na fase de “nova”, havia dificuldades a vencer e critérios específicos a seguir. Na verdade, podemos dizer que eram três os passos principais no tratamento dessa informação.

Em primeiro lugar, o avistamento da lua tinha de ser testemunhado e reportado ao Sanhedrin (Sinédrio) em Jerusalém, o mais depressa possível. Nesse passo específico, o testemunho de um único indivíduo não era válido, mas a palavra de pelo menos duas testemunhas já era aceite como verdadeira, dentro do espírito das normas Mosaicas que regulavam a vida social e religiosa de Israel (Números 35: 30; Deuteronômio 17: 6; 19: 15). O dever de reportar a nova fase lunar era tão importante que no caso de acontecer num sábado, dava à testemunha imunidade em relação às leis restritivas do Shabbat. E não somente a ela, mas também a todos os que tivessem de ajudar, quer com alimentação, proteção ou outro tipo de ajuda, a fim de que lhe fosse possível chegar rapidamente a Jerusalém com aquela informação (há um comentário pertinente em Mateus 12 verso 5 que diz: "Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa"?). A urgência do processo estava, obviamente, ligada aos sacrifícios do Templo relacionados com o Rosh Codesh, os quais deveriam ser realizados na altura certa da Lua. Na cidade, as testemunhas eram recebidas num pátio especialmente separado para elas, onde lhes era provida uma boa refeição, no sentido de encorajá-las a repetir o ato outras vezes no futuro.

Em segundo lugar, logo que o avistamento era validado, entregava-se a informação no Sanhedrin. Muitas vezes a notícia era corroborada por pinturas ilustrativas das fases da Lua, onde as testemunhas identificavam e faziam corresponder o seu próprio avistamento. A informação da altura correta servia para se determinar se o mês seria de vinte e nove ou trinta dias. A frase que todos aguardavam da boca do Príncipe do Sanhedrin era, então, proclamada: ”O dia é permitido!” E, sem demora, todos começavam os preparativos no Templo no sentido de prosseguir com as cerimônias sacrificiais necessárias à ocasião.

Em terceiro lugar, não somente o povo em Israel, mas também a Diáspora (judeus dispersos em outras nações) tinha de ter conhecimento do fato.
Em Israel, a informação era passada através de mensageiros que partiam a cavalo para todos os pontos, mais perto ou mais distantes. Para a Diáspora utilizava-se um sistema bem elaborado de comunicações, que se valia da escuridão da noite. No cimo do Monte das Oliveiras, uma vara de madeira com vários metros de altura era incendiada, como um archote. A sua luz era vista noutro monte pré-definido, onde, por sua vez, e utilizando o mesmo método, se passava a informação a outro monte, atingindo-se com esse método cidades tão longínquas como Pumbedita (Faluja), na Babilônia (Iraque), importante centro talmúdico e berço do Talmude Babilônico. Aí, a informação era recebida com alegria, manifestada por cada família através da imitação do sinal original. Isto fazia com que, de repente, numa cidade a milhares de quilômetros de distância de Jerusalém, centenas de varas flamejantes fossem erguidas na escuridão da noite, acendendo a cidade e os corações dos judeus que nela viviam.
A importância de se saber quando é que cada mês começava, estava ligada à vida de cada homem em Israel. No Salmo 104, no versículo 19, encontramos a declaração de que a lua, criada por Deus, tem a particularidade de apontar para as estações do ano. Não é de admirar, pois, que fosse a regularidade da Lua a fazer de marcador natural aos tempos. 

A Festa da Lua Nova

A alegria que os judeus sentiam por cada novo Rosh Codesh não era um sentimento vazio. À identificação da Lua Nova seguia-se uma Festa e esta, envolvia o próprio Deus. Daí o motivo da alegria nacional.

A Festa da Lua Nova não pertencia ao grupo das três festas principais, aquelas que obrigavam a uma deslocação a Jerusalém. Era uma festa secundária, e, no entanto, igualmente importante. Podemos aquilatar a sua importância pelo fato de ter sido divinamente instituída, sendo que Deus requeria do adorador uma postura espiritualmente honesta e verdadeira. Falhar de forma recorrente levou muitas vezes Deus a manifestar o seu desagrado perante o eterno vazio a que a “religião” sempre conduz.

O Antigo Testamento apresenta-nos cerca de vinte e cinco referências à (Festa da) Lua Nova. Por exemplo, através da leitura do primeiro livro de Samuel capítulo 20, ficamos sabendo que David costumava comer à mesa do Rei Saul nesse dia (20:5). E também que, ao tomar a decisão de não comparecer a esse compromisso importante, fez Saul reagir de tal forma que ficou claramente exposto o ódio que ele sentia por David. Asafe, um dos cantores do Templo, proclamou a Festa da Lua Nova como tempo de alegria, assinalada com o toque do shofar (Salmo 81: 3). Salomão escreveu ao Rei de Tiro informando-o que se propunha construir um Templo em Jerusalém, onde as Festas do Senhor teriam lugar, e mencionando particularmente a da Lua Nova (II Crônicas 2: 4). E o próprio Deus, em dada altura, mostrou-se cansado da hipocrisia de alguns adoradores, afirmando que já não suportava mais as Festas da Lua Nova que o povo celebrava e Lhe dedicava (Isaías 1: 13-14).


Na Festa da Lua Nova, “… nos princípios dos vossos meses…” eram tocadas as trombetas de prata (Números 10: 10), e o shofar (Salmos 81:3). Os levitas faziam as suas ofertas rituais (I Crônicas 23: 31), e os negócios eram temporariamente interrompidos (Amós 8:5). Rosh Codesh, ou Lua Nova, era tempo de regozijo e celebração (Números 10: 10).

O Rosh Codesh era a âncora do tempo, tanto para o agricultor, como para o adorador. Como o homem do campo procederia para determinar o tempo ideal de semear o seu sustento? Da mesma forma, sem um calendário claro, as festas que Deus exigia que fossem celebradas “ao tempo apontado” (Êxodo 23: 15; 34: 18) eram impossíveis de situar e de cumprir. Como celebrar, por exemplo, a Páscoa segundo o requisito divino, em que “no primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até vinte e um do mês à tarde” (Êxodo 12: 18) se não fosse possível determinar o primeiro dia desse mês?

O estratagema usado pelos opressores de Israel no tempo que antecedeu a revolta dos Macabeus foi exatamente esse: proibiam (esta) Festa, fazendo com que as (outras) Festas não fossem possíveis de celebrar, porque ficavam indeterminadas no tempo. Era, pois, uma informação vital, na qual as suas vidas estavam ligadas inexoravelmente pela obediência a Deus.

As novas tecnologias tornaram obsoletos os métodos que levavam à identificação das fases da lua. Hoje, Israel não comemora mais esta festa, e apenas uma pequenina franja de judeus ortodoxos a relembra. Saber como ela se processava, no passado, é apenas um enriquecimento para nós, mas também a oportunidade de criarmos na nossa vida o desejo de renovação. Renovação em cada momento, agora e sempre. Começar de novo, recomeçar, recomeçar sempre de forma melhor. Em Jesus temos esse privilégio, o privilégio de experimentar uma renovação constante. Sem calendário. Sempre que o nosso coração quiser. Pois não foi Paulo quem afirmou que, como crentes em Jesus, “já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.”? (Colossenses 3:9-10).

Eduardo Fidalgo
Beit Israel - Lisboa Portugal.
.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

E JACÓ FICOU SÓ (Gênesis 32:24).

É impossível falarmos de bênçãos sem trazermos à memória os Patriarcas bíblicos Abraão, Isaque e Jacó. Eles tiveram o privilégio de andar com Deus, de ouvir a sua voz, de receber instruções e avisos por divina revelação, tanto em visões como em sonhos; receberam anjos como hóspedes em suas tendas e também as promessas das bênçãos futuras, tanto para si como para os descendentes. Mas eles não viveram em brancas nuvens. 

Começando por Abraão, ainda Abrão, recebeu a promessa de Deus aos setenta e cinco anos de idade (Gênesis 12:1-3) e o seu herdeiro Isaque nasceu quando ele estava com cem anos, isto é, vinte e cinco anos após a promessa da bênção (Gênesis 21:1-5). E como diz as Escrituras, Abraão não recebeu nem o espaço de um pé da terra da Canaã (Atos 7:5) a não ser o Campo de Efrom que estava em Macpela, defronte a Manre, o qual comprou para a sepultura de Sara sua mulher (Gênesis 23:16-20).


Com Isaque a coisa não foi diferente apesar de ser o "filho da promessa". Ele era o herdeiro da bênção abraâmica e de todas as propriedades alcançadas por seu pai, ele era o "filho da promessa", mas mesmo assim teve que orar ao Senhor “insistentemente” por cerca de vinte anos para que a promessa de Deus se cumprisse, porque Rebeca, a sua esposa, era estéril (Gênesis 25:20-26). Este também viveu como peregrino e estrangeiro na sua própria terra.


Agora temos uma história à parte, ou seja, a vida de Jacó. Digo que a sua história é diferente da história do seu pai e do seu avô, justamente porque Jacó não era o herdeiro, ele não era o primogênito, pois no parto o seu irmão gêmeo Esaú saiu primeiro do ventre materno, talvez por ser o mais forte. Então a vida de Jacó foi duplamente difícil, pois teve que lutar com Deus, com homens e prevalecer para alcançar a promessa que ele tanto amou desde o ventre de sua mãe (Gênesis 25:22-26, 32:28) .

O nome Jacó significa “Agarrar o Calcanhar” (Gênesis 25:26), pois é o que significa no hebraico a palavra Ya'aqov. Poderíamos dizer sem sombra de dúvidas que ele “pegava no pé”, isto é, era insistente, determinado e acima de tudo, Jacó era um crente em Deus e na Sua Palavra.

"... Acaso não era Esaú irmão de Jacó? diz o Senhor; todavia amei a Jacó,
e aborreci a Esaú;... " (Malaquias 1:2-3).


Não gosto nem um pouco de pregadores que depreciam o caráter de Jacó chamando-o de enganador ou trapaceiro, ele não era nem um nem outro. Jacó foi um homem temente a Deus, ele cria nas bênçãos prometidas por Deus aos seus ascendentes e, portanto, amava-as mais do que qualquer coisa. Já Esaú não estava nem aí com a Palavra do Senhor. Como está escrito: “Esaú era devasso e profano” (Hebreus 12:16). É por isso que ele trocou o seu direito de primogenitura por uma refeição, negligenciando o fato de que a benção do seu pai estava condicionada a esse direito. Então o enganador e trapaceiro foi Esaú que, secretamente, tentou receber a benção de Isaque não cumprindo assim a palavra dada em juramento ao seu irmão (Gênesis 25:30-34).  


A ASTÚCIA DE REBECA.


A Bíblia diz que a esposa sábia edifica a sua casa (Provérbios 14:1) e no quesito sabedoria, Rebeca era nota dez. Ela era uma mulher temente a Deus já desde a casa dos seus pais. Foi uma mulher prudente e submissa, tanto ao Senhor como ao seu marido, mas nem por isso deixaria que Isaque, cego por seu amor a Esaú, comprometesse a promessa divina. Portanto Rebeca foi um instrumento das bênçãos de Deus naquela família (Gênesis 27:5-17).


Em 1 Timóteo capítulo 2, Paulo admoesta ao seu filho na fé, que Adão não foi enganado, mas Eva foi, e sendo enganada, caiu em transgressão (verso 14), daí ele continua com um comentário bastante curioso: "Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação" (verso 15). Para entendermos este versículo precisamos olhar alguns versos anteriores: 


"Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva" (1 Timóteo 2:8-13). 


Acho que Paulo trouxe à memória a figura de Rebeca quando escreveu estas admoestações. Sim, pois ela foi uma mulher que fez profissão de servir ao Deus de Abraão seu sogro e de Isaque o seu marido; ela não foi criar caso com seu esposo por ele amar mais a Esaú e nem foi ensiná-lo dos propósitos divinos, mas aprendeu em silêncio com toda a sujeição e no tempo certo deu sustento à sua casa, porque ela "esteve atenta ao andamento da casa, e não comeu o pão da preguiça" (Provérbios 31:27). Então Rebeca foi salva do "engano" quando deu à luz aos seus filhos, pois permaneceu com modéstia na sua fé e no seu amor em santificação, sempre ponderando o comportamento de sua prole, e não aceitou que um fanfarrão como Esaú herdasse a bênção que ele mesmo desprezou. 


A EFUSÃO NO VAU DE JABOQUE (Gênesis 32).


Jacó permaneceu por vinte anos longe da casa dos seus pais, tudo isso porque o seu irmão o queria matar. Nos anos que passou no exílio foi explorado por Labão seu sogro, mas Deus era com ele e fez prosperar o trabalho das suas mãos, de tanto que ele mesmo diz às suas mulheres que elas mesmas sabiam de todo esforço empregado por ele no serviço, mas que seu sogro o enganou e mudou o salário dez vezes; porém Deus não permitiu que Labão lhe fizesse mal (Gênesis 31:6,7). Ainda falando às suas esposas ele diz: "Assim Deus tirou o gado de vosso pai, e deu-o a mim" (verso 9). 


Na sua saída Jacó levou consigo somente o seu cajado e ao retornar veio com dois numerosos bandos de animais e servos e a certa altura da viagem de volta, ele recebeu a notícia de que Esaú vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens e por isso teve medo. Em meio ao seu terror ele dividiu a sua casa em dois bandos para que pelo menos um deles pudesse escapar à fúria de Esaú, depois disso pôs-se a buscar ao Deus de seus pais (versos 9 ao 12) e por último enviou adiante dele pela mão dos seus servos, um presente para aplacar seu irmão (versos 13 ao 21). Vemos que Jacó novamente põe-se a lutar com Deus e com os homens. Então chega o momento extremo da vida dele, o momento de ficar só no vau de Jaboque.  


Creio que a "luta" de Jacó com o anjo foi uma medição de força de ambas as partes, algo como um "agarra e empurra", sem agressões... Creio também que ele nem desconfiava com quem estava lutando, até que o anjo tocou-lhe na juntura coxa deslocando-a e começou a pedir para que Jacó o deixasse ir. Mesmo ferido, o "agarrador de calcanhar" não desistiu e sabendo agora com quem estava a lutar, instou com o anjo para abençoá-lo, e a bênção do Senhor foi o seu novo Nome (versos 24 ao 29). Veja que a expressão "lutar com Deus e com os homens" não quer dizer lutar "contra Deus e contra os homens", pois as Sagradas Escrituras nos ensinam que não devemos pagar mal por mal, antes devemos vencer o mal com o bem, também está escrito que a nossa luta não é contra a carne e o sangue. Quanto ao "lutar com Deus", lemos no Livro dos Salmos assim: "
Esforçai-vos, e ele fortalecerá o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor" (Salmos 31:24). Diante deste verso podemos entender que a vida cristã é uma jornada de intenso esforço, mas que esta busca não é e nunca será infrutífera. "Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes" (Efésios 6:13).   

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: AO QUE VENCER darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra UM NOVO NOME escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe" (Apocalipse 2: 17). 


"E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne" (Ezequiel 36:26).


O clímax da vida de lutas de Jacó, agora Israel, deu-se em Peniel, pois ali ele viu Deus face a face e a sua alma foi salva (verso 30). Carecemos perguntar para nós mesmos como e quando será o nosso Peniel e se já estamos lutando com Deus e com os homens até que esse dia venha raiar.


"Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho" (Apocalipse 21:7). Amém!


L. M. S.

domingo, 26 de abril de 2015

COMO NOS DIAS DE NOÉ.

"E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem" (Mateus 24:37)


Gênesis 6:12 “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra”. 

A palavra "violência" na bíblia é HAMAS, que significa, "injustiça, ser violento com, tratar violentamente". A palavra é usada freqüentemente como ideia de violência pecaminosa. É também sinônimo de extrema impiedade. Observamos que a primeira ocorrência desta palavra na Escritura ocorre em conexão com outro termo muito forte: Shahat, que significa cova, destruição, túmulo (corrupção). A palavra liga-se com o conceito de Sheol (mundo dos mortos). Em Gênesis 6.11 lemos: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência". Aqui, literalmente, a terra (mundo) está na cova, no túmulo e se parece muito com o Sheol e por isso ela encheu-se de violência pecaminosa! A associação feita entre "corrupção" e "violência" é assustadora e demonstra que o estado do mundo determina seus aspectos vivenciais e também atrai a ira de Deus! No verso 13, o Deus Criador ordena o fim de todas as coisas. O motivo: a violência (hamas). O resultado: "... as desfarei com a terra...". A palavra aqui traduzida por "desfarei" é Shahat e significa "levá-los ao túmulo, à morte". Deus havia decidido acabar com tudo isso (o mal sobre a terra) e dar-lhe a retribuição por seus atos pecaminosos violentos: a morte eterna! Isso fica claro aqui, pois somente oito pessoas (Noé e sua família) são salvos da grande catástrofe que vem sobre a humanidade!

O sentido no original hebraico para a expressão "corrompido o seu caminho" é a “inversão de valores”.

Eis uma relação de sete valores que se inverteram na sociedade atual:

1) Coisas valem mais que pessoas
2) Conquistas valem mais que o caráter
3) Sucesso tem mais valor que família
4) O virtual tem mais valor do que o real
5) O material vale mais que o espiritual
6) Quantidade vale mais que qualidade
7) O ter vale mais que o ser.

A nossa sociedade está terrivelmente corrompida como nos dias de Noé.

L. M. S.

sábado, 25 de abril de 2015

AS VARAS LISTRADAS DE JACÓ.

Tenho ouvido muita coisa sobre a passagem de Gênesis 30:37-42 do estratagema que Jacó usou, isto é, das varas descascadas em listras e postas nos bebedouros do rebanho  para que as ovelhas e cabras concebessem filhotes listrados, salpicados e malhados, sendo que nenhuma explicação me convenceu, até que deparei-me com este comentário a seguir do Site Torre de Vigia:
    
Jacó enriquece antes de partir de Harã. 

Tendo cumprido seu contrato de trabalho de 14 anos, para a obtenção de suas esposas, Jacó mostrou-se então ansioso de retornar à sua terra. Mas Labão, vendo como Jeová o havia abençoado por causa de Jacó, insistiu com ele para que continuasse a supervisionar os seus rebanhos. Labão disse a Jacó que este poderia até mesmo estipular seu próprio salário. Então Jacó disse: "Hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário" (Gênesis 30:32); portanto ele pediu que apenas as ovelhas e as cabras de cor ou marcas incomuns lhe fossem dadas. “Ora, isto é excelente!” foi a resposta de Labão e, a fim de manter o salário de Jacó tão baixo quanto possível, Labão retirou dos rebanhos todas as cabras listradas, salpicadas e malhadas, e todos os carneiros novos, marrom-escuros, e entregou-os aos cuidados de seus próprios filhos interpondo uma distância de três dias entre eles, para impedir qualquer cruzamento entre os dois rebanhos. Apenas os animais nascidos com cor incomum, no futuro, seriam de Jacó (Gênesis 30:25-36).

Assim, Jacó começou a cuidar apenas das ovelhas de cor normal e das cabras sem sinais. No entanto, trabalhou muito e fez o que achava que iria aumentar a quantidade dos animais de cor incomum. Pegou varas frescas de estoraque, de amendoeira e de plátano, descascou-as de modo a lhes dar um aspecto listrado e malhado. A estas colocou nas calhas dos bebedouros dos animais, aparentemente pensando que, se os animais olhassem para as faixas quando no cio, haveria uma influência pré-natal, que faria com que a cria fosse de cor malhada ou incomum. Jacó também teve o cuidado de colocar as varas nos cochos apenas quando os animais mais fortes e robustos estavam em cio (Gênesis 30:37-42).

O ARDIL DE LABÃO FALHA.
 As crias com marcas ou de cor incomum, e que, por conseguinte, seria o salário de Jacó, mostraram ser mais numerosas do que as de cor uniforme, normal, que seriam de Labão. Visto que o resultado desejado foi conseguido, Jacó provavelmente imaginava que o responsável por isso era seu estratagema com as varas listradas. Nesse particular, ele provavelmente comungava da mesma concepção errônea, comum a muitas pessoas, a saber, que tais coisas podem influir na prole. No entanto, num sonho, seu Criador o instruiu a pensar de outra forma.
Em seu sonho, Jacó veio saber que certos princípios genéticos eram os responsáveis pelo seu êxito e não as varas (Gênesis 31:10-12). Ao passo que Jacó cuidava apenas dos animais de cor uniforme, a visão, todavia, lhe revelou que os cabritos eram listrados, salpicados e malhados. Como poderia isto acontecer? Pelo que parece, eram híbridos, embora tivessem cor uniforme, sendo o resultado de cruzamentos feitos no rebanho de Labão antes de Jacó começar a ser pago. Assim, determinados animais dentre estes traziam, na sua genética, os fatores hereditários que resultariam em futuras gerações malhadas e salpicadas, segundo as leis da hereditariedade descobertas por Gregório Mendel.
Nos seis anos em que Jacó trabalhou sob este arranjo, Deus o abençoou e o fez prosperar imensamente, aumentando não só os rebanhos dele, mas também o número de seus servos, de seus camelos e de seus jumentos, e isto apesar de Labão mudar dez vezes o salário em que ambos haviam concordado. Por fim, o “verdadeiro Deus de Betel” mandou Jacó retornar à terra dos seus pais Gênesis 30:43, 31:1-13,41).

O texto acima dá uma visão satisfatória para a interpretação do que ocorreu no episódio das varas de Jacó e nos mostra que os planos de Deus para aqueles que o amam já foram traçados antes de sermos formados no ventre materno.

“Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente” (Salmos 71:6).

L. M. S.